Contexto e proposta de Batismo de Sangue
Batismo de Sangue é a adaptação cinematográfica do livro homônimo de Frei Betto, publicado em 1982 e vencedor do prêmio Jabuti. O livro reconstrói a participação de frades dominicanos na resistência clandestina à ditadura militar, nos anos 1960 e 1970, e a repressão que se abateu sobre eles. Helvécio Ratton dirigiu e produziu o filme e escreveu o roteiro com Dani Patarra.
O longa tem 110 minutos e foi exibido no Festival de Brasília de 2006, antes de chegar ao circuito comercial em 2007. No elenco estão Caio Blat, Daniel de Oliveira, Ângelo Antônio, Léo Quintão, Odilon Esteves e Cássio Gabus Mendes. A produção opta pela ficção histórica: não é um documentário com entrevistas, mas uma reconstrução dramática de fatos e personagens reais. Essa escolha permite acompanhar o cotidiano dos frades, a clandestinidade e a violência da repressão sem abrir mão da tensão narrativa.
No Festival de Brasília de 2006, Helvécio recebeu o prêmio de melhor diretor e Lauro Escorel, o de melhor fotografia. No ano seguinte, o filme levou o prêmio de melhor direção de fotografia no 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá. O roteiro foi publicado em 2008 na Coleção Aplauso, pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, e um fotograma do filme foi reproduzido na parede da cela do ex-DOPS, hoje Memorial da Resistência, em São Paulo.
Batismo de Sangue é o ponto em que a trajetória política de Ratton e sua filmografia se encontram de forma mais direta. O diretor viveu o exílio, a prisão e a militância que o filme reconstrói do lado dos frades dominicanos. A obra não resolve as disputas sobre a ditadura, mas oferece uma narrativa pública sobre pessoas que pagaram um preço alto por suas escolhas. Para leitores de Frei Betto, o filme é uma leitura possível do livro; para quem estuda o período, é uma porta de entrada para a memória da resistência.





