Contexto e proposta de O Mineiro e o Queijo
O Mineiro e o Queijo partiu de uma contradição simples: o queijo minas artesanal é patrimônio cultural do Brasil, mas, na época do filme, não podia circular fora de Minas Gerais. O documentário de 72 minutos, dirigido por Helvécio Ratton e produzido por Simone Matos, foi filmado no Serro, na Serra da Canastra e no Alto Paranaíba, regiões onde a produção acontece em pequenas propriedades e fazendas familiares.
O filme acompanha o trabalho de produtores, a lida com o gado, o processo de fabricação e as regras sanitárias que colocavam o queijo artesanal numa zona cinzenta. Ratton trata o tema como questão política e cultural, sem transformar o documentário em aula de legislação. A câmera se interessa pelas pessoas, pelos gestos e pela paisagem, e é por esse caminho que a contradição aparece: um alimento reconhecido como patrimônio, mas tratado como risco sanitário.
O Mineiro e o Queijo ganhou o prêmio de melhor longa-metragem pelo júri popular na 15ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em 2012. O documentário ajudou a difundir a causa dos pequenos produtores e a expor a situação para o restante do país. Em dezembro de 2011, o Ministério da Agricultura flexibilizou a comercialização do queijo minas artesanal, uma mudança que o filme ajudou a colocar em pauta.
Para quem se interessa por comida, agricultura familiar, patrimônio ou políticas públicas, o documentário oferece um retrato de Minas que vai além da imagem turística. É também uma peça sobre o cinema como ferramenta de debate: o filme não dita a solução, mas mostra quem estava sendo afetado pela regra. A obra continua útil para entender a cadeia do queijo artesanal e o lugar dos pequenos produtores na economia brasileira.





