Contexto e proposta de O Lodo
O Lodo é uma adaptação livre do conto homônimo de Murilo Rubião. O longa acompanha Manfredo, funcionário de uma empresa de seguros que se sente deprimido e procura um psiquiatra, o Dr. Pink. O médico afirma que o paciente tem um lodaçal dentro de si e quer conhecer seu passado, mas Manfredo abandona o tratamento. A partir daí, o Dr. Pink passa a persegui-lo, inclusive em pesadelos, e a vida de Manfredo se transforma.
Dirigido por Helvécio Ratton e produzido por Simone Matos, o filme tem 94 minutos e foi rodado em Belo Horizonte. O elenco reúne Eduardo Moreira, Renato Parara, Inês Peixoto, Rodolfo Vaz, Fernanda Vianna, Teuda Bara e Maria Clara Strambi. A adaptação mantém o clima fantástico de Murilo Rubião, mas o desloca para um cenário urbano e realista, no qual o absurdo aparece dentro da rotina de trabalho e da relação entre paciente e médico.
O Lodo foi exibido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2020 e chegou aos cinemas em abril de 2023. O intervalo entre a primeira exibição e o lançamento comercial diz algo sobre o percurso de um filme brasileiro de médio porte, mas não muda o fato de que a obra encontrou seu público em festivais e plataformas. O filme foi disponibilizado em serviços como Claro TV+ e Vivo Play, de acordo com a página oficial da Quimera Filmes.
Para quem conhece a literatura de Murilo Rubião, o filme é uma leitura que preserva o incômodo do conto e acrescenta a cidade, o trabalho e o corpo dos atores. Para quem chega sem referência, é um thriller psicológico sobre memória e passado. Em ambos os casos, O Lodo mostra uma faceta de Ratton menos associada ao cinema infantojuvenil: o diretor diante do fantástico, do inconsciente e da literatura mineira.





