O título assusta de propósito. Como Matei minha Mãe não é manual, não é denúncia jurídica e não é autobiografia em estado bruto. É um romance de Sheila Leirner, publicado pela Iluminuras em 2022, com 248 páginas, em que uma mesma saga familiar é contada em duas narrativas.
A editora apresenta a ficção assim: dois irmãos se encontram, desvelam mistérios da própria vida e um deles decide enfrentar um tormento que evitava. A sinopse cita Albert Camus e O Estrangeiro como contraste, e avisa que não se espere drama de vingança. O texto prometido é de humor, distância e peripécia, com um fim que a casa editorial trata como inesperado. A resenha de Márcia Lígia Guidin no Rascunho, em dezembro de 2022, leu o livro nessa chave: uma obra que incomoda e mobiliza, assinada por uma crítica de arte que o público estava acostumado a encontrar no ensaio, não na ficção.
O que está na edição
A ficha da Amazon para a capa comum fecha os dados de compra: editora Iluminuras, publicação em 26 de agosto de 2022, 1ª edição, idioma português, 248 páginas, ISBN 978-6555191653. As dimensões listadas ficam em torno de 15,5 por 22,5 centímetros. Há também edição Kindle do mesmo título. A capa comum é o objeto desta página.
No texto de apresentação, a autora aparece com a biografia pública já conhecida: nascida em São Paulo, crítica de arte, jornalista, curadora e escritora, em Paris desde 1991, crítica do Estadão a partir de 1975, curadora-geral de duas Bienais de São Paulo. O romance não substitui essa trajetória. Acrescenta um gênero. Até então, o nome estava colado a ensaio, crônica e curadoria. Em 2022, a Iluminuras coloca no balcão uma ficção longa.
Como ler sem confundir com a biografia
A própria autora, em textos públicos sobre o livro, descreve uma estrutura dupla, em parte autobiográfica e ainda assim romanesca, com nomes de ficção para figuras de uma família. Isso pede cuidado. O enredo não deve ser copiado para a biografia como se cada cena fosse documento. Mãe artista, avó escultora e circuito paulista são fatos de outras fontes, a começar pela Enciclopédia Itaú Cultural. O miolo do romance — o que os irmãos descobrem, o que a narradora decide “matar” no título — pertence à ficção e ao pacto que a editora propõe.
Quem chega pelo título em busca de autoajuda sobre família não encontra o livro certo. A categoria em que a Amazon às vezes encaixa o volume, perto de relacionamentos e maternidade, diz mais sobre a palavra “mãe” no título do que sobre o texto. O lugar editorial é a literatura brasileira contemporânea, ao lado da crônica de Direi Tudo e um Pouco Mais e longe do ensaio de exposição de Arte como Medida.
Onde comprar e o que esperar
A rota direta da edição impressa é a página do livro na Amazon, com o ISBN acima. A Iluminuras também divulgou o título em vídeo curto no próprio canal, com a mesma sinopse de ficção em duas narrativas. Não há, na ficha pública, promessa de continuação nem de série. É um romance único, de leitura adulta, para quem aceita humor seco em matéria familiar e já sabe, ou vai descobrir, que a autora passou a vida medindo obras de arte antes de medir esta história.




