Cova 312 é a história de Milton Soares de Castro, jovem militante político preso em 1967, aos 26 anos, e morto sob tortura na Penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora. Os militares forjaram documentos para apresentar a morte como suicídio e fizeram o corpo desaparecer. O livro de Daniela Arbex desmonta essa versão peça por peça.
A história que a ditadura tentou apagar
Milton integrava o primeiro grupo de guerrilha organizado após o golpe de 1964 — o núcleo que pretendia iniciar a luta armada na serra do Caparaó. A guerrilha nunca chegou a acontecer: ele foi preso e levado para Linhares, onde foi torturado e morto. Ao longo de mais de dez anos de apuração, com entrevistas a mais de 20 personagens, Daniela Arbex reconstituiu a rotina da prisão, reconstruiu os passos que levaram à fraude e foi atrás do corpo do militante até encontrá-lo na sepultura que dá título ao livro.
Por que o livro importa
Cova 312 se soma às obras que revisitaram a ditadura militar brasileira com base em documentos e testemunhos. A diferença está no ponto de vista: Arbex acompanha a história pelo cotidiano das pessoas — a família que procurou Milton por décadas, os agentes que participaram da repressão, os arquivos que sobraram. O resultado é um capítulo da história do país contado a partir de uma cova identificada pelo número 312.
Prêmio Jabuti e nova edição
Publicado em 2015, o livro venceu o Prêmio Jabuti de 2016 na categoria Livro-Reportagem. A edição atual, relançada pela Intrínseca, traz novo projeto gráfico e um posfácio em que a autora retoma a obra décadas depois. Quem se interessa por memória da ditadura, direito à verdade e biografias históricas encontra aqui um relato em que a investigação jornalística vira documento.





