Todo dia a mesma noite reconstrói, hora a hora, a madrugada de 27 de janeiro de 2013, quando um incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, matou 242 pessoas. Daniela Arbex acompanha o que aconteceu dentro da casa noturna, a luta desesperada por ar nos banheiros, o ginásio onde pais buscavam notícias dos filhos e os hospitais que tentavam salvar quem ainda respirava.
As vozes que o livro reúne
Para escrever a obra, a autora ouviu por centenas de horas sobreviventes, familiares das vítimas, equipes de resgate e profissionais de saúde — muitos deles falando pela primeira vez. O livro não trata a tragédia como episódio isolado: acompanha os dias seguintes e as consequências de descuidos banalizados ao longo dos anos anteriores ao incêndio, que se estenderam por muito tempo na vida da cidade.
Da página para a tela
Em 2023, dez anos após o incêndio, a obra inspirou uma minissérie produzida pela Netflix e dirigida por Julia Rezende, com Thelmo Fernandes, Leonardo Medeiros e Bianca Byington no elenco. A produção entrou no ranking mundial de audiência da plataforma e levou o caso a um público que não acompanhou a cobertura da época.
Um memorial em forma de livro
Publicado em 2018, Todo dia a mesma noite consolidou o lugar de Arbex entre os autores que transformam tragédias coletivas em obras de memória. A leitura interessa a quem acompanha temas de segurança em espaços públicos, responsabilização e luto coletivo — e a quem busca entender como uma cidade inteira foi atravessada por uma única noite.





