Holocausto Brasileiro nasceu de uma pergunta que Daniela Arbex foi perseguir em Minas Gerais: como mais de 60 mil pessoas puderam morrer dentro de uma instituição pública de saúde sem que o país reagisse? O livro, publicado em 2013, reconstitui o funcionamento do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, a Colônia, para onde eram enviados pacientes com diagnóstico de doença mental e também homossexuais, prostitutas, epiléticos, mães solteiras, mendigos e todo tipo de gente considerada fora dos padrões da época.
O que o livro revela
A partir de entrevistas com ex-funcionários e sobreviventes, Arbex detalha como o Estado, médicos, funcionários e a sociedade toleraram décadas de maus-tratos e mortes. Os relatos transformam estatística em biografia: quem eram as pessoas internadas, como chegaram lá e o que a instituição fez com elas. É a reconstituição que consagrou o livro-reportagem brasileiro em um de seus títulos mais duros.
Prêmios e desdobramentos
O livro foi eleito Melhor Livro-Reportagem do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2013 e ficou em segundo lugar no Prêmio Jabuti de 2014, na categoria Livro-Reportagem. Em 2016, virou documentário produzido para a HBO, dirigido por Armando Mendz e pela própria autora, exibido em mais de 40 países; em 2024, o filme passou a integrar o catálogo da Netflix. O título soma mais de 300 mil exemplares vendidos no Brasil e em Portugal e ganhou nova edição com posfácio inédito da autora.
Por que ler
O tema dialoga com o debate sobre reforma psiquiátrica, políticas de saúde mental e memória das instituições totais — discussões que seguem atuais no Brasil. O texto é corrido, sem ficção: cada cena vem de depoimento, documento ou registro público. Quem começa a ler Daniela Arbex por este livro encontra o fio que atravessa toda a obra da autora: pessoas reais, tragédias coletivas e o esforço de impedir o esquecimento.





