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Daniela Arbex

Nascimento: 1973 Juiz de Fora, MG
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Jornalista e escritora mineira, repórter especial do Tribuna de Minas por 23 anos e autora dos livros-reportagem Holocausto Brasileiro, Cova 312 e Longe do Ninho, vencedor do Prêmio Jabuti 2025.

Daniela Arbex é a jornalista mineira que transformou a apuração de tragédias brasileiras em uma das obras mais lidas do livro-reportagem nacional. Da redação do jornal Tribuna de Minas, em Juiz de Fora, onde trabalhou por 23 anos como repórter especial, saiu para reconstituir histórias que o poder público preferia esquecer: o genocídio de mais de 60 mil internos no hospital Colônia de Barbacena, em Holocausto Brasileiro (2013); o desaparecimento de um guerrilheiro durante a ditadura militar, em Cova 312 (2015); e o incêndio que matou dez jovens atletas do Flamengo, em Longe do Ninho (2024), vencedor do Prêmio Jabuti 2025 na categoria Biografia e Reportagem.

Nascida em Juiz de Fora, em 1973, e formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, Arbex construiu toda a trajetória profissional a partir de Minas Gerais. A obra dela virou documentário da HBO, minissérie da Netflix e assunto recorrente em debates sobre memória, direitos humanos e responsabilização pública — um percurso que soma mais de 20 prêmios nacionais e internacionais.

De repórter de cidade a autora premiada

A carreira de Arbex começou no início dos anos 1990, nas páginas do Tribuna de Minas, jornal de Juiz de Fora no qual se tornou repórter especial. Foi nesse período que ganhou três vezes o Prêmio Esso — em 2000 e 2002, na categoria Especial Interior, e em 2012, na categoria Jornalismo —, além de menções honrosas no Prêmio Vladimir Herzog e no prêmio Lorenzo Natali, na Bélgica. Em 2009, venceu o prêmio de melhor investigação da América Latina e Caribe do IPYS; em 2010, recebeu em Washington o Knight International Journalism Award, do International Center for Journalists. Uma década depois, em 2020, foi eleita a melhor repórter investigativa do país pelo Troféu Mulher Imprensa.

Filha de um imigrante sírio — história que ela própria contou em crônica publicada no jornal —, Arbex passou a dedicar reportagens longas a pessoas que o noticiário costumava tratar como número. Foi esse olhar que a aproximou de outro terreno: o livro-reportagem, gênero que no Brasil tem em Caco Barcellos, autor de Rota 66, um de seus nomes centrais.

Holocausto Brasileiro: o país diante da Colônia

Publicado em 2013, Holocausto Brasileiro reconstitui o que aconteceu no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, a Colônia, onde mais de 60 mil pessoas morreram sob o consentimento do Estado, de médicos e da sociedade. O livro dá voz a sobreviventes e ex-funcionários e foi eleito Melhor Livro-Reportagem do Ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2013, ficando em segundo lugar no Prêmio Jabuti de 2014, na categoria Livro-Reportagem.

Em 2016, a obra deu origem ao documentário homônimo produzido para a HBO, dirigido por Armando Mendz e pela própria autora e exibido em mais de 40 países. Em 2024, o filme entrou no catálogo da Netflix, levando a denúncia a uma nova geração de espectadores. O livro já vendeu mais de 300 mil exemplares no Brasil e em Portugal e ganhou nova edição pela Intrínseca, com novo projeto gráfico e posfácio inédito da autora.

Cova 312: a fraude da ditadura desmontada por uma repórter

Em Cova 312 (2015), Daniela Arbex dedicou mais de dez anos de apuração à história de Milton Soares de Castro, militante político preso em 1967, aos 26 anos, e levado para a Penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora. Torturado e morto, Milton teve a morte forjada como suicídio pelos militares — versão que o livro desmonta a partir de entrevistas com mais de 20 personagens, documentos e buscas pelo corpo, encontrado por Arbex na sepultura que dá título à obra. O trabalho rendeu à autora o Prêmio Jabuti de 2016 na categoria Livro-Reportagem, em edição hoje relançada com posfácio inédito.

Todo dia a mesma noite: a boate Kiss e a memória de 242 vidas

Em Todo dia a mesma noite (2018), Arbex reconstitui a madrugada de 27 de janeiro de 2013, quando o incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, matou 242 pessoas. O livro reúne centenas de horas de depoimentos de sobreviventes, familiares das vítimas, equipes de resgate e profissionais de saúde, muitos ouvidos ali pela primeira vez. A obra inspirou a minissérie da Netflix lançada em 2023, dirigida por Julia Rezende, que entrou no ranking mundial de audiência da plataforma.

Brumadinho e o Ninho do Urubu: quando a tragédia vira reconstituição

Arrastados (2022) parte do rompimento da barragem B1, da Vale, na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, às 12h28. A lama de rejeitos avançou mais de 300 quilômetros e matou 270 pessoas, segundo a contagem oficial — 272, se consideradas as duas gestantes entre as vítimas. Arbex foi a campo reconstituir as primeiras 96 horas após o colapso, entrevistou sobreviventes, bombeiros, legistas e moradores das áreas atingidas e voltou à região para acompanhar o impacto das indenizações. O livro recebeu o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos em 2023.

Dois anos depois, Longe do Ninho (2024) revisitou o incêndio no centro de treinamento do Flamengo, em 8 de fevereiro de 2019, que matou dez atletas da base, com idades entre 14 e 16 anos. Com laudos técnicos, trocas de mensagens, e-mails e entrevistas com todas as famílias das vítimas, o livro reconstitui o caminho das chamas — que passaram de 600 graus Celsius — no contêiner-dormitório com apenas uma porta de saída. Em outubro de 2025, a obra venceu o Prêmio Jabuti na categoria Biografia e Reportagem, na 67ª edição do prêmio.

Prêmios e reconhecimento internacional

A lista de condecorações acompanha o tamanho do trabalho:

  • Prêmio Jabuti — Livro-Reportagem (2016, por Cova 312) e Biografia e Reportagem (2025, por Longe do Ninho);
  • Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos — 2023, por Arrastados;
  • Troféu Mulher Imprensa — melhor repórter investigativa do país (2020);
  • Knight International Journalism Award — 2010, recebido em Washington;
  • Prêmio APCA — Melhor Livro-Reportagem do Ano (2013), por Holocausto Brasileiro;
  • Prêmio Esso — vencedora em 2000, 2002 e 2012.

Uma construtora da memória coletiva

O método de Arbex combina apuração longa, arquivos, documentos oficiais e entrevistas com dezenas de personagens — familiares, sobreviventes, agentes públicos. "Sou uma construtora da memória coletiva do Brasil", resumiu ela em entrevista à CNN Brasil em 2025. Hoje dedicada à literatura, a autora percorre feiras e projetos de leitura, como a Semana Literária do Sesc, a Viagem Literária e a Bienal do Livro, além de participar de programas de televisão e podcasts. Os livros dela seguem encontrando leitores em clubes de leitura, escolas e universidades, o que consolida o lugar da obra na literatura de não ficção brasileira.

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Holocausto Brasileiro
Holocausto Brasileiro
Daniela Arbex reconstrói o genocídio de mais de 60 mil internos no hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, a partir de depoimentos de sobreviventes.
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Cova 312
Cova 312
A investigação de Daniela Arbex sobre Milton Soares de Castro, militante torturado e morto na ditadura militar, vencedora do Prêmio Jabuti 2016.
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Arrastados
Arrastados
O relato de Daniela Arbex sobre o rompimento da barragem de Brumadinho, vencedor do Prêmio Vladimir Herzog de 2023.
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Longe do Ninho
Longe do Ninho
A investigação de Daniela Arbex sobre o incêndio no Ninho do Urubu, vencedora do Prêmio Jabuti 2025 na categoria Biografia e Reportagem.
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