Contexto e proposta de Diário do Brasil
Diário do Brasil é o livro de crônicas que Flávio Rangel publicou em 1982 pela Paz e Terra. Escrito a partir de sua coluna na imprensa, o volume acompanha o noticiário político brasileiro num período de transição, entre a distensão do governo militar e os primeiros passos da abertura.
Os textos tratam de economia, escândalos, eleições, censura e comportamento, sempre com a mesma voz curta e cortante. Rangel escrevia sobre política como quem comenta um espetáculo: observa o cenário, o elenco e o texto — no caso, o noticiário — e aponta o que está fora de lugar.
O título faz par com Seria Cômico Se Não Fosse Trágico, publicado três anos antes, e aprofunda o olhar sobre um Brasil em transformação. Para o leitor de hoje, o livro serve como documento de época e como exemplo de jornalismo literário feito por alguém que circulava entre artistas, políticos e jornalistas.
Além do valor histórico, o volume tem interesse literário: são crônicas de estrutura enxuta, com começo, virada e fecho, que resistem bem à leitura em sequência. Professores de redação e estudantes de comunicação costumam usá-las como modelos de clareza.
O exemplar é encontrado principalmente em sebos e acervos, e a obra é citada em levantamentos sobre a crônica política brasileira. Quem se interessa pela atuação pública de Flávio Rangel encontra aqui a versão escrita do mesmo olhar que ele levava para o palco.
O livro foi organizado a partir de textos publicados entre o fim dos anos 1970 e o início dos 1980, período em que o autor assinava coluna na Folha de S.Paulo. Lido hoje, funciona como uma cápsula do noticiário da época, com a vantagem de trazer a interpretação de alguém que convivia de perto com as figuras sobre as quais escrevia. É uma leitura útil para quem estuda a transição política brasileira e para quem aprecia crônicas de intervenção, escritas com clareza e sem concessões ao lugar-comum.
Enquanto Seria Cômico Se Não Fosse Trágico trabalha mais o humor, Diário do Brasil investe no acompanhamento miúdo dos acontecimentos, como um caderno de bordo do país. Os dois volumes formam um painel da mesma década e podem ser lidos em conjunto, um completando as lacunas do outro.





