Contexto e proposta de Liberdade Liberdade
Liberdade, Liberdade é o espetáculo que Flávio Rangel escreveu com Millôr Fernandes e dirigiu para o Grupo Opinião, no Rio de Janeiro, em 1965. O texto costura discursos, poemas, canções e trechos históricos sobre a ideia de liberdade, dos filósofos gregos à Declaração Universal dos Direitos Humanos, e se tornou um dos maiores sucessos de público daquele ano.
A montagem original reuniu Paulo Autran, Nara Leão, Oduvaldo Vianna Filho e Tereza Rachel, entre outros nomes. Em cena, os atores alternavam leituras e números musicais, num formato que misturava teatro, música e recital. A força do conjunto fez da peça um símbolo de resistência: meses depois da estreia, o espetáculo foi proibido pela censura do regime militar.
A edição em livro da L&PM Pocket reúne o texto completo da peça, com fotos da montagem original e material de apoio. Para quem estuda o período, é uma das fontes mais diretas desse momento em que o palco se tornou trincheira. Para quem faz teatro, o volume serve como exemplo de dramaturgia construída a partir da colagem de materiais distintos.
O título também ajuda a entender a parceria entre os dois autores. Flávio Rangel assinou a direção e a estrutura cênica; Millôr Fernandes, o texto e boa parte do humor. Juntos, criaram um espetáculo que sobreviveu à proibição e voltou aos palcos em montagens posteriores, sempre associado à luta por liberdade de expressão.
O livro integra a coleção de bolso da editora e é procurado tanto por leitores de história quanto por estudantes de teatro. Quem se interessa pela obra de Rangel encontra aqui o elo entre a fase de diretor de repertório e a de autor engajado, que depois escreveria crônicas políticas para o Pasquim e a Folha de S.Paulo. Para conhecer melhor o parceiro de escrita, vale consultar a página de Millôr Fernandes.
O espetáculo estreou em 21 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, em uma produção do Grupo Opinião com o Teatro de Arena de São Paulo. A temporada curta e interrompida pela censura transformou a peça em referência obrigatória nos estudos sobre teatro de resistência, e o texto segue sendo remontado por companhias que querem discutir o papel da arte em períodos autoritários. A edição impressa ajuda a preservar não apenas os diálogos, mas também o espírito de urgência de um espetáculo feito para responder ao seu tempo.





