Dona Flor e Seus Dois Maridos é o filme que virou sinônimo de cinema popular brasileiro. Lançada em 1976, a adaptação do romance de Jorge Amado dirigida por Bruno Barreto levou mais de dez milhões de pessoas às salas e transformou o longa em um marco de bilheteria que nenhum outro filme nacional superou por 35 anos.
A história é conhecida: Flor, vivida por Sônia Braga, casa-se com o boêmio Vadinho, de José Wilker, enviúva cedo e recomeça ao lado do farmacêutico Teodoro, interpretado por Mauro Mendonça. Quando o primeiro marido reaparece como fantasma, a comédia encontra seu motor — a disputa entre desejo e segurança, entre a farra e a vida estável. O roteiro foi assinado por Bruno Barreto, Eduardo Coutinho e Leopoldo Serran, e a fotografia é de Murilo Salles.
Por que o filme continua atual
O mérito do longa está em equilibrar humor, sensualidade e crítica social sem abandonar o espírito do romance de Amado. A produção reconstituiu em estúdio o universo de Salvador, apostando na cultura baiana como matéria viva, e o resultado atravessou classes e gerações: o filme consolidou Sônia Braga como estrela nacional e projetou Bruno Barreto no circuito internacional.
O reconhecimento veio rápido, com o Kikito de melhor direção no Festival de Gramado de 1977. Décadas depois, o longa voltou às salas em cópia remasterizada e segue como referência obrigatória para quem quer entender a relação entre literatura, bilheteria e identidade brasileira.
Uma aula de adaptação
Para quem estuda roteiro, o filme funciona como documento de adaptação literária: a comparação com o romance de Jorge Amado mostra o que foi cortado, condensado e transformado para caber na tela sem perder a ironia do original. O trabalho de direção de arte e a trilha reforçam o tom de fábula adulta que marcou o cinema nacional dos anos 1970.
Vadinho morre no início da história, e é a ausência dele que organiza a narrativa: Flor tenta a vida respeitável ao lado de Teodoro, mas o desejo cobra seu preço. A química entre Sônia Braga e José Wilker virou uma das assinaturas do filme, assim como a fotografia de Murilo Salles e a trilha que mistura samba e sons de rua.
A edição em DVD faz parte da coleção dedicada a clássicos do cinema brasileiro e mantém o título disponível para novas gerações de espectadores, colecionadores e estudiosos da nossa filmografia.




