Última Parada 174 transforma em ficção uma ferida aberta do Rio de Janeiro. Dirigido por Bruno Barreto e lançado em 2008, o filme acompanha a trajetória de Sandro, inspirado em Sandro Barbosa do Nascimento: um menino que sobreviveu à Chacina da Candelária, em 1993, e que, anos mais tarde, sequestraria o ônibus 174 no bairro do Jardim Botânico, em junho de 2000, num episódio transmitido ao vivo pela televisão.
O roteiro é de Bráulio Mantovani, que já havia assinado a adaptação de Cidade de Deus, e a produção é franco-brasileira. Michel Gomes interpreta Sandro, com Marcello Melo Jr., Cris Vianna e André Ramiro no elenco. Antes do sequestro, o filme reconstrói a infância nas ruas, a passagem por abrigos e a vida na Candelária — escolhas que aproximam o espectador da história e afastam o longa do sensacionalismo.
Do documentário à ficção
O caso do ônibus 174 já havia sido tema do documentário Ônibus 174, de José Padilha, lançado em 2002. A versão de Bruno Barreto faz o caminho inverso: em vez de investigar o episódio em tempo real, opta pela ficção para imaginar a vida que levou ao desfecho. O contraste entre as duas obras virou tema recorrente de debates sobre cinema brasileiro, violência urbana e representação da pobreza.
Em setembro de 2008, o filme foi escolhido pelo Ministério da Cultura como representante do Brasil na disputa por uma vaga no Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro, o que reforçou a presença do diretor no circuito internacional. A produção também circulou por festivais na Europa e rendeu elogios à atuação de Michel Gomes.
Por que assistir
A produção é assinada pelo próprio Bruno Barreto ao lado de parceiros brasileiros e europeus, com co-produção de Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto. Rodado no Rio de Janeiro, o filme reconstitui o sequestro com precisão de horário e espaço — o ônibus parado na altura do Jardim Botânico, a multidão acompanhando pela televisão — e devolve ao menino uma história para além do desfecho policial.
Última Parada 174 interessa a quem estuda segurança pública, direitos humanos e o Rio de Janeiro real por trás das manchetes. O DVD mantém o título disponível para redes de ensino, cinéfilos e estudiosos que queiram comparar a abordagem documental e a ficcional do mesmo caso.




