O Que É Isso, Companheiro? é o filme em que Bruno Barreto reconstituiu um dos episódios mais delicados da ditadura militar brasileira: o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, por militantes do MR-8 e da ALN. Lançado em 1997, o longa adapta o livro de memórias de Fernando Gabeira, publicado em 1979, e mistura personagens reais e ficcionais.
O roteiro parte da experiência de Gabeira para acompanhar um grupo de jovens que planeja a ação para trocar o diplomata por presos políticos. Pedro Cardoso e Fernanda Torres lideram o elenco, com Alan Arkin no papel do embaixador, além de Selton Mello, Cláudia Abreu, Luís Fernando Guimarães, Matheus Nachtergaele e Fernanda Montenegro. A trilha é do americano Stewart Copeland, baterista do The Police, e a produção ficou a cargo de Luiz Carlos Barreto.
A recepção e as polêmicas
O filme gerou debate ao combinar ficção e história: parte da crítica e de setores da sociedade considerou que o longa suavizava a repressão da época, enquanto outro tanto destacou a qualidade técnica e a força dramática da reconstituição. A polêmica não impediu o êxito internacional. Em 1997, disputou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e levou o prêmio do público no AFI Fest, nos Estados Unidos.
Em 1998, o Brasil inscreveu o longa na disputa pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, e ele ficou entre os cinco indicados da categoria. No mesmo ano, Bruno Barreto venceu o Prêmio Guarani de melhor diretor, e Matheus Nachtergaele foi eleito melhor ator coadjuvante.
Por que o filme importa
O Que É Isso, Companheiro? chegou aos cinemas quando o país ainda digeria o passado autoritário e ajudou a levar o tema da luta armada a um público amplo, incluindo plateias internacionais. Para quem acompanha o cinema de reconstituição histórica, o filme é uma peça-chave dos anos 1990, década em que a produção brasileira retomou fôlego depois do desmonte da indústria no governo Collor.
Lançado em 1997, o filme integra a chamada retomada do cinema brasileiro, o ciclo de produções que recolocou o país no circuito internacional depois dos anos de desmonte da indústria. A reconstituição de época — carros, roupas e cenários do fim dos anos 1960 — e o trabalho de elenco ajudam a manter a tensão mesmo para quem já conhece o desfecho do episódio.
A edição em DVD mantém o título acessível para quem quer estudar o período ou rever o trabalho de um elenco que reúne alguns dos nomes centrais da dramaturgia brasileira.




