Fim de verão é o oitavo livro de poemas de Paulo Henriques Britto, publicado pela Companhia das Letras em 19 de agosto de 2022. A capa é de Kiko Farkas. São 96 páginas em brochura, ISBN 978-65-5921-180-7. O livro foi escrito perto dos 70 anos do autor e durante a pandemia.
O poema “Vers de circonstance (Brasil, 2020)” abre o tom: “Pensar é coisa trabalhosa. A ignorância é o sumo bem dos cidadãos de bem, é a verdadeira marca dos eleitos. Ter sucesso é não ter que saber. Saber cansa.” Não é crônica de quarentena. É verso medido sobre fé cega, desprezo pela razão e o fim da vida, com o sarcasmo que já marcava Nenhum mistério.
O que distingue este volume
A editora apresenta Fim de verão como um dos livros mais mordazes do autor. O coloquial e a dicção intelectual andam juntos, recurso que Fabrício Corsaletti, na orelha, comparou a construir um edifício tijolo por tijolo para depois derrubá-lo. A comparação aponta João Cabral e Wallace Stevens, duas referências que Britto não esconde: um pela construção, o outro pela paixão de leitura.
Não há programa de futuro nem teoria salvadora. O ceticismo é o método. A forma fixa segura o sarcasmo para ele não virar desabafo. Quem espera verso livre confessional encontra o contrário: metro, rima e uma frase que desconfia da própria frase.
Lugar na trajetória
Fim de verão vem seis anos depois de Nenhum mistério (2018) e antes de Embora (2026). É o livro da velhice já anunciada, ainda sem a conjunção do volume seguinte. No perfil público do autor, ele descreveu o conjunto como reflexão sobre fim da vida, temporalidade, estupidez, ódio e a arte como modo de encarar o vazio, em diálogo com Stevens e Emily Dickinson.
Para quem chega agora, este volume é uma porta mais recente do que Macau, de 2003, e menos última do que Embora. Serve a quem quer o Britto político sem panfleto: o Brasil de 2020 entra como circunstância de um poema, não como plataforma.
Como ler e onde achar
A leitura pede atenção ao verso, não velocidade de romance. São poemas curtos, densos, que se reescrevem na cabeça de quem volta. Não traz aparato escolar nem notas de tradutor. A edição à venda na Companhia das Letras é a brochura de 2022. Preço de vitrine muda e não entra aqui como número estável.




