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Finalidades sem fim

Livro
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Ensaios de Antonio Cicero sobre poesia, arte e o fim das vanguardas, com leitura de Drummond, João Cabral, Waly Salomão, Homero e Horácio.

Finalidades sem fim é a coletânea em que Antonio Cicero enfrenta a pergunta deixada pelas vanguardas do século XX: e agora, o que fazer? Publicado pela Companhia das Letras em 5 de outubro de 2005, com 360 páginas, o livro foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria Teoria/Crítica literária. O assunto não é nostalgia de manifesto. É o horizonte que sobra quando os caminhos já foram abertos.

Cicero se declara crítico e, ao mesmo tempo, admirador das vanguardas. A tese central é seca: o fim desse ciclo não encerrou a modernidade; realizou-a. Cumprida a tarefa de romper, restou aos poetas e artistas um campo ilimitado de possibilidades. A liberdade de criação, aqui, não é slogan. É consequência histórica.

O que o livro discute

Os ensaios tratam de poesia e arte depois do esgotamento das receitas de ruptura. Cicero relê poetas de que gostava — Waly Salomão, João Cabral de Melo Neto, Carlos Drummond de Andrade — e volta à Antiguidade com Homero e Horácio. Não se restringe ao verso. Entra também na música popular e na pintura moderna, testando se o mesmo diagnóstico vale fora da literatura.

O título brinca com a linguagem da filosofia: finalidade, fim, sem fim. Em vez de oferecer um programa estético novo para substituir o da vanguarda, o livro defende que o artista contemporâneo não precisa de um “próximo movimento” para justificar o que faz. Precisa de rigor, ouvido e liberdade. Essa posição explica por que a poesia de Cicero nunca soou como pastiche de escola.

Para quem este ensaio serve

O leitor de poesia que quer entender o chão teórico da obra de Cicero encontra aqui a argumentação. O estudante de crítica literária encontra um ensaio brasileiro que discute pós-modernidade sem copiar o jargão importado. Quem só conhece o letrista da MPB pode se surpreender: o mesmo autor de Fullgás escreve sobre Horácio com a mesma seriedade com que escreve sobre canção.

Não é manual de criação. Não ensina a “escrever poemas modernos”. Também não é biografia. É um livro de pensamento sobre arte, com exemplos concretos e uma defesa explícita da liberdade após o ciclo das vanguardas. Quem busca receita de estilo sai de mãos vazias. Quem busca uma posição clara, sim.

Como ele se encaixa na obra

Finalidades sem fim fica entre O mundo desde o fim (1995) e os ensaios posteriores de Poesia e filosofia e A poesia e a crítica. A pergunta permanece, o vocabulário se afina. Ler este volume antes dos ensaios de 2017 ajuda a ver que Cicero não improvisou uma teoria para acompanhar a fama do poema Guardar: o pensamento já estava em curso.

Se a leitura emperrar no vocabulário filosófico, vale voltar aos exemplos: Drummond, João Cabral, Waly. Cicero argumenta com poemas e obras, não só com conceitos. Um caminho prático é marcar as passagens sobre vanguarda e depois confrontá-las com a poesia reunida em Fullgás: a teoria e o verso se iluminam, mas não se repetem.

A edição é em português, selo Companhia das Letras, ISBN 978-85-359-0695-0. O livro físico nem sempre está fácil nas prateleiras; quando a edição corrente some, a página do item continua sendo a referência da obra certa, sem confundir com coletâneas posteriores.

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