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O eterno agora

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Sete ensaios de Antonio Cicero, escritos entre 2005 e 2020, da palavra escrita ao debate sobre o pós-humano, dedicados a Adauto Novaes.

O eterno agora reúne sete ensaios de Antonio Cicero escritos entre 2005 e 2020 a convite de Adauto Novaes, a quem o livro é dedicado. A Companhia das Letras publicou o volume em 3 de dezembro de 2024, com 200 páginas, pouco depois da morte do autor. Não é antologia de ocasião. São os textos que, nas palavras da apresentação, provocaram e povoaram a maturidade do pensador.

Adauto Novaes pergunta, na orelha, qual a diferença entre a poesia de Cicero e estes ensaios, e responde: a poesia guarda espírito de análise; os ensaios expressam sentido literário. Poesia e pensamento abstrato viajam juntos. Essa frase descreve o livro melhor do que qualquer subtítulo de prateleira.

Do que tratam os ensaios

O arco vai dos primeiros registros da palavra escrita até o debate sobre o pós-humano. No caminho entram literatura, poesia, direitos humanos e ameaças abertas pela tecnologia. Cicero escreve análises literárias, poéticas, filosóficas e políticas sem separar os gêneros em departamentos. O “agora” do título não é slogan de autoajuda: é o tempo em que o pensamento precisa responder ao presente sem largar o passado.

Quem conhece só o poema Guardar pode estranhar a amplitude. Quem conhece os ensaios anteriores reconhece a mesma dicção: clara, erudita, pouco inclinada ao jargão. Alice Sant’Anna, editora do volume, apontou essa abertura acessível como marca do autor. O livro não pede diploma em filosofia para ser lido; pede atenção.

Para quem este volume existe

Serve a quem quer o Cicero ensaísta no período final, quando a pergunta já não era só “o que é um poema”, mas o que acontece à palavra, à ética e à civilização sob nova técnica. Serve a quem leu Finalidades sem fim ou A poesia e a crítica e quer o desdobramento. Serve, ainda, a quem chegou ao autor pelo obituário de 2024 e prefere começar pelo pensamento recente, não pela obra poética completa.

Não é livro de memórias. Não narra a doença nem a viagem à Suíça. Também não substitui Fullgás, que é a poesia. Misturá-los na mesma pretensão de “obra completa” empobrece os dois. Aqui está o ensaio. Lá está o verso.

Lugar na bibliografia

A editora apresentou O eterno agora como primeiro de uma série póstuma, que incluiria a poesia completa — depois consolidada em Fullgás — e uma reunião das letras compostas para intérpretes como João Bosco, Lulu Santos e Marina Lima. Este volume, portanto, é o ensaio da série, não o cancioneiro.

Os textos nasceram dos ciclos de Adauto Novaes, interlocutor de longa data. Isso explica o tom de conferência pensada para ser ouvida e depois lida: há argumentação, mas também ritmo de ensaio literário. Quem já acompanhou aqueles encontros reconhece o recorte; quem chega agora encontra um Cicero maduro, falando de técnica, ética e literatura sem abandonar a clareza.

Edição em português, selo Companhia das Letras, ISBN 978-85-359-3888-3. Existe em livro físico e e-book. Para acompanhar o raciocínio de Cicero nos últimos quinze anos de escrita ensaística, é o livro que a própria editora colocou na frente.

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