Foto ilustrativa do produtor Antonio Candido

Projeto relacionado a:

Antonio Candido
Imagem promocional do produto Formação da literatura brasileira

Formação da literatura brasileira

Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Ensaio de 1959 sobre arcadismo e romantismo como momentos em que a literatura no Brasil passou a funcionar como sistema.

Formação da literatura brasileira não é um roteiro de escolas para decorar na véspera da prova. É o livro em que Antonio Candido, em 1959, pela Livraria Martins, escolhe dois períodos e recusa o resto. O arco vai de 1750 a 1880. Dentro dele estão o arcadismo e o romantismo, tratados como os momentos em que a literatura feita no Brasil passou a existir como sistema: autores, obras e público ligados por uma tradição reconhecível, e não como uma sequência de textos notáveis sem conversa entre si.

José de Barros Martins tinha pedido, em 1945, uma história geral. Candido devolveu outra coisa. O volume foi escrito entre 1945 e 1957 e só chegou às livrarias no fim da década, em dois tomos. O subtítulo Momentos decisivos é o aviso de que o critério não é “tudo o que se publicou”, e sim o trecho em que escrever virou atividade contínua da sociedade.

O que fica de fora de propósito

O corte irrita quem espera um panorama do século XVI ao moderno. Anchieta entra na argumentação como exemplo do contrário: houve texto importante muito antes de haver literatura constituída. O mesmo vale para Gregório de Matos, ainda inédito no próprio século, e para os sermões do padre Antônio Vieira. Rocha Pita, na primeira metade do século XVIII, também fica como ocorrência relevante que ainda não organiza um sistema. A exclusão não é descuido. É a tese.

A partir de meados do século XVIII, com Cláudio Manuel da Costa, Basílio da Gama, Silva Alvarenga e o frei Santa Rita Durão, Candido enxerga autores que já tinham alguma noção de que produziam literatura para ilustrar o país e, ao mesmo tempo, levavam notícia desse país à Europa. No romantismo, o circuito se fecha: há obras, há quem as continue e há um público capaz de reconhecer o conjunto. O ponto de chegada desse desenho, na leitura dele, passa por Machado de Assis, já na borda final do período, quando o sistema estaria configurado.

Sistema é moldura, leitura é o miolo

A fórmula “autor, obra e público” viajou mais do que os capítulos. Nas apresentações do próprio livro, Candido trata essa fórmula como enquadramento. O que lhe interessava, capítulo a capítulo, era a análise de cada obra e a correlação com as vizinhas. Por isso o volume pode ser aberto num ensaio sobre Álvares de Azevedo ou sobre Memórias de um sargento de milícias sem exigir que o leitor engula antes a teoria inteira. A teoria aparece para segurar a leitura, não para substituí-la.

Essa ambição dupla, de historiador e de crítico, é também a origem da briga. Afrânio Coutinho e Haroldo de Campos contestaram o modo como o livro demarcava a literatura brasileira. A contestação não apagou o título. Quem discorda ainda precisa dizer de que discorda, porque o mapa de 1750 a 1880 continuou sendo o mapa contra o qual outros mapas se desenham. Em 2023 a Todavia reeditou a obra num volume de cerca de 800 páginas, com capa de Oga Mendonça, ISBN 6556924016. É a edição corrente em livraria, não um fac-símile de colecionador.

Para quem o livro serve e onde ele para

O leitor que chega de um curso de letras encontra aqui o argumento que a bibliografia posterior cita, discute ou tenta contornar. O leitor que chega de Machado, de José de Alencar ou de Gonçalves Dias encontra o contexto em que esses nomes deixam de ser itens de lista e passam a ser elos. Não é um livro de estreia confortável, nem um resumo escolar. São centenas de páginas de leitura cerrada, com um glossário de nomes na edição histórica e uma prosa que exige atenção, não adesão.

O limite é explícito. A Formação não conta o modernismo, não substitui um estudo de Guimarães Rosa e não resume o que Candido escreveria depois sobre malandragem, cortiço e Machado. Para o período posterior a 1880, a Iniciação à literatura brasileira é outro livro, pensado como síntese, não como segundo volume disfarçado. Quem quer o método aplicado a ensaios mais curtos encontra esse método em Literatura e sociedade e em O discurso e a cidade. Quem quer só a frase “sistema literário” pode parar na orelha. O livro começa quando essa frase vira leitura de obra.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse Formação da literatura brasileira.


Experiências da comunidade

Avaliações sobre Formação da literatura brasileira

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por Formação da literatura brasileira, talvez também queira conhecer outros projetos de Antonio Candido.

Ver perfil completo
Os parceiros do Rio Bonito
Os parceiros do Rio Bonito
Tese de 1954, publicada em 1964, sobre o caipira paulista de Bofete e a transformação dos meios de vida no campo.
00%
00%
Literatura e sociedade
Literatura e sociedade
Ensaios de 1965 em que o dado social só interessa à crítica quando entra na forma da obra.
00%
00%
O discurso e a cidade
O discurso e a cidade
Ensaios de 1993 sobre cidade, norma e desvio, com a dialética da malandragem e leituras comparadas.
00%
00%