Kosmofonia Mbyá-Guarani é um disco-livro organizado por Douglas Diegues a partir das gravações de cantos mbyá-guarani feitas pelo antropólogo e musicólogo Guillermo Sequera em comunidades do Paraguai. A primeira edição, lançada em 2005, trazia um CD encartado na contracapa e está esgotada há anos.
Como o livro foi feito
Entre o início de 2004 e meados de 2005, Diegues transcreveu e traduziu para o português os cantos gravados por Sequera ao longo de anos de pesquisa de campo. O trabalho teve a colaboração de Kerechú Pará e Ramón Barboza e a assessoria de Karaí Miri, falantes de guarani que ajudaram a fixar os textos na escrita.
Além das traduções, o volume reúne artigos, depoimentos, transcrições dos cantos e o CD com os registros sonoros. É esse conjunto — livro, áudio e aparato crítico — que fez a obra ser tratada como um dos estudos mais sérios já publicados no Brasil sobre poéticas indígenas.
A apresentação de Manoel de Barros
Manoel de Barros, amigo e parceiro de criação de Diegues, assina a apresentação do volume. Depois de ouvir os cantos reunidos ali, o poeta escreveu que eles o transportaram “para os ancestrais, para os fósseis linguísticos, lá onde se misturam as primeiras formas, as primeiras vozes” — passagem que se tornou uma das mais citadas sobre o disco-livro.
A presença de Manoel de Barros na obra ajuda a situar o projeto: não se trata de uma antologia folclórica, e sim de uma leitura de poesia. Os cantos mbyá são apresentados como poética, com a mesma seriedade com que a literatura escrita costuma ser tratada.
A reedição digital de 2021
Em 2021, o projeto ganhou uma reedição digital, interativa e com áudio, reordenada por André Vallias e revisada por Douglas Diegues, publicada pela editora Jasuká com apoio da revista Errática. São 108 páginas que mantêm o áudio dos cantos acessível por botões dentro do próprio arquivo digital, uma solução rara em publicações do tipo.
A reedição é de download gratuito. A organização pede apenas que, quem puder, faça um donativo à Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), entidade que representa povos indígenas em todo o país.
Por que este projeto importa
Kosmofonia Mbyá-Guarani interessa a leitores de poesia, pesquisadores de etnopoesia, estudantes de antropologia e música, tradutores e educadores que trabalham com culturas indígenas. O livro mostra uma faceta de Diegues menos conhecida do público de poesia: a de editor e tradutor dedicado a registrar a palavra cantada de povos originários, décadas antes de o tema ganhar o destaque que tem hoje.
Como acessar
A versão digital está disponível para download gratuito no site da revista Errática, em arquivo próprio para leitura no computador ou em aplicativos de PDF. É a via mais simples para conhecer o projeto completo, já que a primeira edição impressa está fora de catálogo. O livro também está depositado na Biblioteca Digital Curt Nimuendajú, acervo de referência para o estudo de línguas indígenas no Brasil.




