Triple Frontera Dreams é um livro de relatos de Douglas Diegues publicado em 2012 e editado na Argentina pela InterZona, casa de Buenos Aires que levou a obra do poeta ao circuito hispanófono. É o título em que o portunhol selvagem aparece como matéria de narrativa: histórias curtas sobre gente que vive, trabalha e deseja no encontro entre Brasil, Paraguai e Argentina.
O que o livro traz
A apresentação da editora argentina resume o tom da obra: o livro teria vindo “acabar com o mito do senhorito puro e pulcro”. Em vez de uma fronteira pitoresca, o que aparece é a vida real da região — o portuñol selvagem, a cumbia, os personagens que sobrevivem e depois vivem. Nas palavras da própria InterZona, são relatos de “gente que sobrevive y luego vive, ama y desea en la frontera”.
O título dialoga com o conceito de portunhol selvagem que Diegues desenvolve desde a estreia na poesia, em 2002, e com a ideia de vanguarda primitiva formulada por ele e Manoel de Barros. A diferença é o gênero: aqui a matéria da fronteira ganha forma de narrativa, sem abandonar a pesquisa de linguagem que caracteriza o autor.
Duas versões argentinas do mesmo livro
Em entrevista ao jornal argentino Tiempo Argentino, Diegues lembrou que duas versões de Triple Frontera Dreams circularam no país ao mesmo tempo: a edição pocket da Eloísa Cartonera, com apenas três textos, e a edição da InterZona, mais ampla. Segundo o autor, os três textos da edição cartonera estão “entre os melhores” do conjunto.
As duas edições contam histórias da mesma obra e mostram dois modos de publicação que o poeta pratica: o livro artesanal, de capa de papelão, e o volume de editora tradicional, distribuído em livrarias. Para o leitor brasileiro, a edição da InterZona é a via mais acessível para conhecer o livro em sua versão completa.
A fronteira como matéria literária
Diegues nasceu no Rio de Janeiro em 1965 e cresceu em Ponta Porã, na fronteira seca com Pedro Juan Caballero. Foi ali que aprendeu o portunhol que transformaria em literatura. Em Triple Frontera Dreams, essa experiência aparece em relatos que tratam a fronteira como território de invenção, e não como limite entre países.
O livro também conversa com a tradição de autores que escreveram sobre as regiões de tríplice fronteira, um tema que interessa a pesquisadores de literatura comparada, de migração e de culturas de fronteira na América Latina.
Repercussão na imprensa argentina
O lançamento do livro foi acompanhado pela imprensa cultural argentina. A Revista Ñ publicou uma matéria sobre o portunhol selvagem e a literatura que borra fronteiras, e o jornal Tiempo Argentino entrevistou o autor sobre as duas edições que circulavam no país. O interesse dos veículos hispanófonos ajudou a consolidar o nome de Diegues fora do Brasil como um dos autores que pensam a língua a partir da fronteira.
Para quem ler
Leitores de literatura latino-americana, de narrativa contemporânea e de obras escritas em línguas mistas; professores que trabalham com literatura de fronteira; e quem já conhece a poesia de Diegues e quer ver o portunhol selvagem em ação na prosa. O livro está em catálogo na Argentina e disponível para compra em livrarias e no marketplace brasileiro.




