Em 2022, a editora Iluminuras publicou uma edição crítica e comemorativa de Mar Paraguayo, novela de Wilson Bueno lançada em 1992 e escrita em uma língua híbrida de guarani, castelhano e português. A organização é de Douglas Diegues e do tradutor e pesquisador Adalberto Müller.
O que é Mar Paraguayo
Publicado originalmente há mais de três décadas, Mar Paraguayo é um dos livros brasileiros em que a mistura de línguas não é enfeite, e sim estrutura da narrativa. A escrita embaralha registros e sonoridades, com marcas de oralidade e um trabalho de linguagem que antecipou muitas das discussões atuais sobre portunhol, tradução e literaturas de fronteira.
A crítica costuma tratar a novela como um marco da literatura brasileira contemporânea. Na resenha “Teia de línguas e epifanias”, publicada pela revista Rascunho em 2023, o livro aparece como um dos mais inventivos da literatura latino-americana — leitura que ajuda a entender por que a obra continua sendo reeditada e estudada.
O que a edição crítica acrescenta
A edição de 2022 chega como edição crítica, revisada e anotada. O volume traz o texto da novela com notas de apoio e um aparato crítico que situa a obra no contexto em que foi escrita, além de uma revisão bibliográfica sobre as outras publicações do autor. Para quem pesquisa, é uma porta de entrada documentada; para quem só quer ler, é a chance de atravessar as escolhas linguísticas do livro com explicações ao alcance da mão.
O trabalho de organização foi feito a quatro mãos. Diegues é um dos principais nomes do portunhol selvagem na literatura brasileira, e Müller é tradutor e estudioso da área. Os dois conhecem de perto as multilínguas das tríplices fronteiras que a novela encena — combinação que deu ao volume o cuidado filológico que uma obra desse tipo exige.
Por que Diegues organizou a edição
Wilson Bueno morreu em 2010, e desde então Douglas Diegues passou a ser apontado como um dos principais continuadores do trabalho com o portunhol na literatura brasileira. Organizar a edição crítica de Mar Paraguayo coloca o poeta no lugar de quem cuida da memória dessa linhagem: a novela de Bueno é reconhecida como obra fundadora do portunhol como língua literária, e a edição comemorativa a devolve ao debate sobre línguas em contato na América Latina.
Para o leitor de Diegues, o volume também funciona como um retrato do seu método de trabalho fora da poesia: revisão de texto, notas, pesquisa bibliográfica e articulação com outros pesquisadores.
Para quem é esta edição
Estudantes de letras e de tradução, professores de literatura brasileira e latino-americana, pesquisadores de línguas em contato e leitores que acompanham a cena literária contemporânea. Quem já conhece a poesia de Douglas Diegues encontra aqui uma face complementar do autor: a de organizador e crítico.
Como encontrar o livro
A novela de Wilson Bueno ficou esgotada no Brasil por muitos anos, e a edição comemorativa de 2022 a devolveu às livrarias. O volume único reúne a novela, as notas e os textos de apoio, e está disponível em livrarias brasileiras e no marketplace.




