O Grande Bazar acompanha dois meninos que se encontram em um grande mercado de Moçambique. Um procura trabalho para recuperar o que lhe foi roubado e voltar para casa; o outro faria qualquer coisa para não ter de voltar para a família. Com objetivos opostos e a mesma necessidade de sobreviver, eles se tornam amigos e passam a inventar juntos as regras de um mundo próprio dentro do bazar.
Lançado em 2006, O Grande Bazar é o primeiro longa de ficção que Licínio Azevedo escreveu e dirigiu depois de uma extensa fase de documentários. O mercado funciona como miniatura da cidade: nele circulam mercadorias, boatos, autoridade informal e pequenas economias de troca, e é esse espaço que o filme observa a partir da altura dos personagens.
A história e o olhar
O roteiro acompanha os dois meninos em suas tentativas de ganhar dinheiro, negociar com comerciantes e escapar de situações de risco. Em vez de transformar a infância em símbolo, o filme trata os protagonistas como trabalhadores precoces, que conhecem preços, dívidas e chantagens. A amizade nasce justamente da percepção de que, sozinhos, nenhum dos dois tem chance.
O elenco é formado por atores moçambicanos, entre eles Edmundo Mondlane e Chano Orlando nos papéis principais. O Grande Bazar tem 56 minutos e integra a série de produções que o diretor rodou com equipes locais e orçamento modesto, característica que marca sua filmografia desde os anos 1980.
Contexto
Na época em que o filme foi produzido, Maputo vivia o crescimento dos mercados informais, que se tornaram centrais na economia urbana moçambicana. Crianças e adolescentes passaram a trabalhar nesses espaços como carregadores, vendedores e recadores. Azevedo já havia tratado de personagens parecidos em documentários, e O Grande Bazar dá forma narrativa a esse universo.
A obra foi exibida na mostra Licínio Azevedo — Um Gaúcho em Moçambique, em Porto Alegre, em 2022, ao lado de títulos como Hóspedes da Noite e Acampamento de Desminagem.
Por que assistir
O Grande Bazar é uma boa porta de entrada para o cinema de ficção de Azevedo: tem duração curta, história centrada em personagens jovens e um cenário que concentra a vida urbana do país. Para quem estuda infância, trabalho informal e cidade no continente africano, o filme oferece material concreto sem transformar os personagens em vítimas exemplares.





