Buscar autoridades

Foto ilustrativa do produtor João Ubaldo Ribeiro

Projeto relacionado a:

João Ubaldo Ribeiro
Imagem promocional do produto Sargento Getúlio

Sargento Getúlio

Educação Livro
Ver página do projeto

Este link pode ser comercial e gerar comissão para o site, sem alterar o preço para o leitor. Compare informações, preço e disponibilidade antes de decidir.

Romance de 1971 em que um sargento de Sergipe recusa soltar o preso. Jabuti de revelação, prosa oral e filme com Lima Duarte.

Um sargento da polícia de Sergipe recebe a última missão antes da aposentadoria: levar um preso político de Paulo Afonso a Aracaju. No meio da estrada, a ordem muda. Getúlio Santos Bezerra não muda. Essa obstinação — honra de jagunço num mundo já corrupto — é o motor de Sargento Getúlio, o romance de 1971 que tirou João Ubaldo Ribeiro da estreia tímida e o colocou, aos trinta anos, entre os nomes que a crítica brasileira passou a citar com Graciliano e Guimarães Rosa.

O enredo cabe num parágrafo. A prosa, não. Quase tudo é monólogo. Getúlio fala com o preso, depois consigo mesmo, depois em fluxo de consciência que mistura infância de engraxate, mulher assassinada por adultério, lealdade ao chefe Acrísio Nunes e fantasias de macho. A linguagem é coloquial, regional, às vezes inventada pelo autor. Frases tortas, redundâncias, neologismos: o livro tenta soar como boca, não como gabinete. A epígrafe chama a história de uma história de areté — virtude grega — e o sambenito pega: Getúlio faz da tarefa uma questão de honra mesmo quando a honra já não serve à política que o criou.

O que acontece na estrada

Getúlio é homem de confiança de um coronel. Pobreza, feira, farda, crime passional: o passado aparece em lampejos, não em capítulo de origem. A incumbência é simples até deixar de ser. Correligionários, polícia e, no fim, os próprios jagunços do chefe tentam impedir a entrega. A revogação da ordem chega por mensageiro, não pela boca do patrono. Getúlio decide que isso não vale. Segue. O romance fecha de modo abrupto, com a morte do sargento no confronto — ruína de quem não entendeu que o código feudal já tinha sido trocado por outra barganha.

A crítica social não recai sobre o bruto. Recai sobre os chefes. Antônio Cândido comparou o personagem a Antígona: aferra-se a um código que a modernização esvaziou. O próprio Ubaldo descreveu o livro como romance engajado, “autobiografia fantasmagórica” da infância em Sergipe, com brutalidade ampliada em dimensão ética e política. Heloneida Studart, no Pasquim, disse que era o livro que gostaria de ter escrito. Jorge Amado viu na figura de Getúlio uma força de criação rara no romance brasileiro — juízo que a edição de 50 anos da Alfaguara recoloca à frente do texto, ao lado de prefácio de Juva Batella.

Prêmio, tradução e cinema

O Jabuti de 1972, na categoria revelação de autor, selou o livro como acontecimento. Ubaldo o traduziu para o inglês; a recepção nos Estados Unidos, a partir de 1978, abriu a carreira internacional que Viva o Povo Brasileiro depois ampliaria. Em 1983, Hermano Penna filmou a história com Lima Duarte no papel-título e o romancista entre os roteiristas. A edição especial de cinquenta anos, capa dura da Alfaguara com desenho de Kiko Farkas, é a porta atual mais clara para quem quer o texto com aparato, sem confundir a obra com recheio comemorativo vazio.

Para quem começar por aqui

Getúlio é o Ubaldo curto e duro. Cabe a quem quer prosa nordestina sem folclore de vitrine, a quem estuda regionalismo e super-regionalismo, a quem chega pelo filme ou pelo vestibular. Não é livro de conforto: a violência é explícita, o narrador é cúmplice da crueldade que descreve, e a graça está na tensão entre lealdade e obediência. Quem depois quiser o mesmo autor em escala de século vai a Viva o Povo Brasileiro. Quem quiser o desvio erótico vai aos Budas. Este, o segundo romance, continua sendo o choque de entrada.

Leitura de uma sentada é possível — são pouco mais de cem páginas na origem, 144 na edição comemorativa — mas a densidade da fala pede ouvido. O sargento “mora no mundo, mora andando”: a frase define o transbordamento da personagem e, de quebra, o tipo de literatura que João Ubaldo Ribeiro escolheu fazer quando ainda podia ter voltado para a sala de aula de ciência política.

Página vinculada ao projeto

Para consultar a página vinculada a este projeto, acesse Sargento Getúlio.


Experiências da comunidade

Avaliações sobre Sargento Getúlio

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Outros projetos do mesmo autor

Se você se interessou por Sargento Getúlio, talvez também queira conhecer outros projetos de João Ubaldo Ribeiro.

Ver perfil completo
Viva o Povo Brasileiro
Viva o Povo Brasileiro
Saga de João Ubaldo Ribeiro sobre a formação do Brasil, de 1647 à ditadura. Jabuti de romance, clássico reeditado pela Alfaguara.
0—
0—
A Casa dos Budas Ditosos
A Casa dos Budas Ditosos
Romance da luxúria de João Ubaldo Ribeiro, de 1999. Clássico erótico baiano que virou monólogo de Fernanda Torres.
0—
0—
O Sorriso do Lagarto
O Sorriso do Lagarto
Romance de 1989 sobre ambição, ciência e poder no litoral da Bahia. Adaptado em minissérie da Globo com Tony Ramos.
0—
0—