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Satolep

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Romance de 2008 em que o fotógrafo Selbor volta a Satolep, anagrama de Pelotas, no dia em que completa trinta anos.

Selbor volta para Satolep no dia em que faz trinta anos. Não é uma visita de saudade organizada. É um fotógrafo que reencontra uma cidade úmida, cheia de vultos, e descobre que o passado da própria família e o passado de Pelotas estão na mesma pasta de imagens. O romance de Vitor Ramil, publicado em 2008 pela Cosac Naify, usa esse retorno como motor. Satolep é Pelotas lida de trás para a frente. O livro trata essa inversão como lugar habitável, não como jogo de palavra.

Quem chega pelo disco Ramilonga ou pela canção que leva o nome da cidade encontra aqui a versão em prosa. Não é encarte expandido. É ficção com endereço, névoa e gente histórica misturada a invenção.

O que o livro pede de quem lê

A edição da Cosac Naify tem 288 páginas, em português, capa dura, ISBN 978-85-7503-709-6. A sinopse de lançamento apresenta Selbor como narrador e protagonista. No aniversário, ele topa com figuras que existiram em Pelotas: o escritor João Simões Lopes Neto, o poeta e boêmio Lobo da Costa e o cineasta Francisco Santos. O encontro não é aula de história local. É o modo como o livro faz o narrador esbarrar no próprio passado.

Selbor foi pensado a partir de um fotógrafo real, que documentou Pelotas no começo do século XX. As imagens publicadas no Álbum de Pelotas, de 1922, foram o material que Ramil recolheu para começar a história. Na leitura do PET Letras da UFRGS, o projeto chegou a ser imaginado como livro de contos a partir de 28 fotografias e virou romance de capítulos curtos, com minificções intercaladas às fotos. A resenha do Rascunho, no ano do lançamento, chegou a tratar o volume como livro quase sem enredo convencional: mais monólogo e reflexão do que trama de reviravolta.

Por que a cidade invertida importa

Ramil já usava Satolep nas canções muito antes de 2008. No encarte de Longes, disco de 2004 gravado em Buenos Aires, há fragmentos do romance, escrito ao mesmo tempo em que as músicas nasciam. O livro só chegou às livrarias quatro anos depois. Essa demora explica o tom. Não é estreia apressada de músico que resolveu escrever. É prosa lenta, feita em paralelo com a milonga.

A capa que circula com a edição da Cosac Naify mostra uma rua antiga, em tom azul, com o título no alto. A fotografia de época e o desenho do céu combinam com o que o texto faz: uma Pelotas interna, não o cartão-postal. Em entrevistas da época, ele separou a cidade oficial da cidade que o nome Satolep designa. O romance é o lugar em que essa distinção vira cenas, não tese.

Quem se interessa, e o que o livro não é

O leitor típico já ouviu Ramilonga, Longes ou Campos Neutrais e quer ver como a mesma fronteira funciona em prosa. Também chega gente de Pelotas e do Rio Grande do Sul atrás da cidade reconhecível: o doce, a névoa, Simões Lopes Neto, o porto, a memória de sobrenome. Não é romance histórico de reconstituição, nem guia, nem autobiografia declarada. Há traço biográfico no retorno ao Sul depois dos anos no Rio, mas Selbor não é uma máscara transparente do autor.

  • Editora e ano: Cosac Naify, 2008
  • Extensão: 288 páginas, em português
  • Eixo: um fotógrafo, uma cidade anagrama e fotos de 1922
  • Figuras históricas no elenco: Simões Lopes Neto, Lobo da Costa, Francisco Santos
  • Onde achar a edição: o volume da Cosac Naify na Amazon

A loja da Satolep Music também chegou a vender os últimos exemplares físicos com a mesma capa. A rota estável para quem quer o livro certo, e não um volume de outro autor sobre Ramil, é a edição da Cosac Naify. Não há continuação anunciada. O que veio depois, na ficção, foi outro livro, com outra regra: A primavera da pontuação, em que os personagens deixam de ser gente e passam a ser sinais gráficos.

Como ele se liga ao resto da obra

Ler Satolep depois de Pequod mostra a diferença de temperatura. O primeiro livro, de 1995, mexe com pai, infância e Uruguai. Este segundo fixa a cidade. Ler antes de Campos Neutrais ajuda a entender por que um disco de 2017 ainda fala de fronteira, tratado e zona neutra: a pergunta é a mesma desde que Pelotas virou Satolep. O romance não precisa da discografia para existir. Fica mais nítido com ela por perto.

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