Imagem de capa do perfil de Vitor Ramil
Foto de perfil de Vitor Ramil

Vitor Ramil

Barão de Satolep

Nascimento: 1962 Pelotas, RS CNPJ: 01.423.316/0001-59
Ver projetos (4)
Cantor e escritor de Pelotas. Criou Satolep, a estética do frio e a milonga de sete cidades no disco Ramilonga.

Em 1997, onze milongas recusaram o gaúcho de cartaz. Vitor Ramil gravou Ramilonga e deu a essas canções sete cidades: Rigor, Profundidade, Clareza, Concisão, Pureza, Leveza e Melancolia. Não era roteiro de turismo. Era um filtro para cantar o extremo sul sem o figurino do tradicionalismo.

Vitor Hugo Alves Ramil nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 7 de abril de 1962. É o caçula de uma casa em que a música já estava antes dele. Os irmãos mais velhos são Kleiton e Kledir. O primo Pery Souza também é músico. Quem procura o nome quer entender como um compositor pelotense atravessou disco, romance e ensaio sem separar a fronteira com o Uruguai e a Argentina do próprio ofício. A resposta está em música e literatura ao mesmo tempo, com uma cidade lida ao contrário no meio: Satolep.

Quem é Vitor Ramil

Ele é cantor, compositor, violonista e escritor. O site oficial lista onze álbuns entre Estrela, Estrela (1981) e Campos Neutrais (2017). A discografia segue com Avenida Angélica (2022) e Mantra Concreto (2024). Nos livros, o mesmo site registra Pequod (1995), Satolep (2008), A primavera da pontuação (2014), o ensaio A estética do frio, conferência de Genebra (2004), e dois songbooks.

A maior parte da letra e da música do repertório é dele. Também musicou poemas de Jorge Luis Borges, João da Cunha Vargas, Angélica Freitas, Fernando Pessoa e Paulo Leminski. Compôs com Chico César, Jorge Drexler, Kleiton e Kledir e Zeca Baleiro. Versionou Bob Dylan e o galego Xöel Lopez. Não é um intérprete de sucessos alheios. Trata poema, milonga e parceiro do Prata como matéria do mesmo trabalho.

A casa de Pelotas e os discos dos anos 1980

Em setembro de 2026, ao Brasil de Fato, ele se descreveu como o sexto filho de uma família em que todo mundo antes dele tocava, cantava e compunha. O dado explica o começo cedo. Aos 18 anos gravou Estrela, Estrela, pela Polydor, com Egberto Gismonti, Wagner Tiso e Luis Avellar, e com Zizi Possi e Tetê Espíndola. Gal Costa regravou a faixa-título no disco Fantasia.

Em 1984 veio A paixão de V segundo ele próprio, produzido pelos irmãos. Eram 22 canções, da música medieval ao carnaval de rua, de orquestra a instrumento de brinquedo. Desse disco, Mercedes Sosa gravou a milonga Semeadura. Em 1987, já no Rio depois de Porto Alegre, lançou Tango: oito canções, elenco menor, com Nico Assumpção, Hélio Delmiro, Márcio Montarroyos, Léo Gandelman e Carlos Bala. Entre um disco e outro nasceu o Barão de Satolep, nobre pelotense pálido e corcunda, alter ego de palco que misturava música, poesia, humor e teatro.

Satolep não é o nome oficial da cidade

Satolep é Pelotas lida de trás para a frente. É anagrama, não palíndromo. Ele usa a palavra desde a juventude para uma Pelotas interna, não a do mapa oficial. A frase que o site repete, sobre o Rio Grande do Sul onde ele vive e trabalha, é direta: não estamos à margem de um centro, mas no centro de uma outra história.

O primeiro livro, Pequod, saiu em 1995 pela Artes e Ofícios, em Porto Alegre. A ficção parte da infância, do pai e de andanças pelo extremo sul e pelo Uruguai. O nome vem do baleeiro de Melville, mas o navio fica na epígrafe: um filho tenta recompor o pai, chamado Ahab, e um móvel de 49 gavetas herdado do avô. O livro rendeu o Prêmio Açorianos de Literatura como autor revelação e saiu na França em 2004, pela L'Harmattan. Foi também nos anos 1990 que ele deixou o Rio e voltou a viver no Sul. À beça, de 1995, tiragem limitada de uma revista de Porto Alegre, foi o primeiro ensaio sonoro da estética do frio.

A estética do frio

Em Ramilonga a milonga deixa de ser ornamento e vira a forma em que o linguajar do campo e a fala da cidade cabem na mesma canção. Sitar e tabla entram ao lado do violão. Em 2026 ele repetiu que o disco foi um marco zero: o ponto em que achou um jeito de cantar o imaginário regional fora do folclore tradicionalista e do nativismo. As sete cidades não descrevem um pampa genérico. Organizam o que a canção pode cortar fora.

Em 19 de junho de 2003 ele leu o ensaio em francês no Théâtre Saint-Gervais, em Genebra, na programação Porto Alegre, un autre Brésil. A Satolep Livros publicou o texto bilíngue em 2004. Em setembro de 2026 ele disse ter acabado de escrever um livro novo sobre o mesmo assunto, com saída prevista para o ano seguinte. O volume ainda não saiu.

Buenos Aires e quem gravou as canções

Tambong (2000) e Longes (2004) foram gravados em Buenos Aires e produzidos por Pedro Aznar. O primeiro saiu em português e em espanhol, com Egberto Gismonti, Lenine, Chico César e João Barone. O encarte de Longes traz fotos dele e da mulher, Ana Ruth, e fragmentos do romance Satolep, então inédito. Délibáb (2010), também em Buenos Aires, junta poemas de João da Cunha Vargas e milongas de Borges. Caetano Veloso entra em Milonga de los morenos. O título húngaro, na explicação dele, nomeia uma miragem da planície.

O site oficial enumera quem levou canções dele para outros discos:

  • Mercedes Sosa, Gal Costa, Zizi Possi e Maria Rita
  • Caetano Veloso, Milton Nascimento, Ney Matogrosso e Lenine
  • Fito Páez, Jorge Drexler, Pedro Aznar e Chico César
  • Kleiton e Kledir, Zeca Baleiro, MPB4, Kátia B, Gutcha e o filho Ian Ramil

Ian aparece no álbum duplo Foi no mês que vem (2013), em que Ramil revisita o próprio repertório com vários desses nomes. Os prêmios que o site confirma são dois Prêmios da Música Brasileira, melhor cantor por voto popular com Satolep Sambatown (2008, com Marcos Suzano) e melhor cantor regional com délibáb (2011), além de dezoito Prêmios Açorianos de Música.

Livros que não servem de encarte

Satolep, Cosac Naify, 2008, 288 páginas, acompanha Selbor, fotógrafo que volta à cidade no dia em que completa trinta anos e cruza João Simões Lopes Neto, Lobo da Costa e o cineasta Francisco Santos. O ponto de partida são fotos do Álbum de Pelotas (1922). A primavera da pontuação, também Cosac Naify, 2014, troca gente por sinal gráfico no reino de Ponto Alegre. Ele contou, em 2026, que essa é a última ficção publicada e a que mais o desafiou, escrita depois de um tempo na biblioteca da mulher, linguista. A ideia vinha de brincadeiras à mesa em 2002.

O que veio depois de Ramilonga

Campos Neutrais (2017) toma o nome da faixa que o Tratado de Santo Ildefonso, de 1777, deixou neutra entre Portugal e Espanha. Foi gravado em Porto Alegre, com partes em Buenos Aires, e mixado por Moogie Canazio em Los Angeles. Teve duas indicações ao Grammy Latino, melhor álbum de música brasileira e melhor arranjo da faixa-título. Stradivarius, nesse disco, já é poema de Angélica Freitas. O álbum Avenida Angélica (2022) inteiro parte dos livros dela. Isabel Ramil assina vídeo, luz e cenografia do espetáculo.

Mantra Concreto saiu em 10 de outubro de 2024. Em julho de 2021, no isolamento, ele releu Toda poesia, de Leminski, e em cerca de catorze dias compôs treze das quinze faixas. A milonga continua na base. Numa faixa, a bateria vira máquina de escrever.

Onde ouvir e ler

O site é vitorramil.com.br. A Satolep Music é a empresa no nome dele: empresário individual em Pelotas, CNPJ 01.423.316/0001-59, ativa desde 12 de setembro de 1996, com discos, livros e produção musical. O contato de shows no site é Ramil e Uma Produções. O canal de YouTube Satolep Music é o oficial.

O retrato de 29 de janeiro de 2010 é de Ana Ruth Miranda para a Cultura RS: ele sentado entre poltronas de teatro, contra um muro de tijolo. Em 23 de setembro de 2026 dividiu o palco do Teatro Bancários, em Porto Alegre, com o uruguaio Daniel Drexler. O que já está publicado continua sendo a milonga, os três livros de ficção e a cidade lida ao contrário.

Experiências da comunidade

Avaliações sobre Vitor Ramil

Veja as opiniões dos leitores e compartilhe sua experiência.

0 avaliações positivas e 0 negativas com comentário.

Relatos publicados

Opiniões dos leitores sobre suas experiências. As avaliações não comprovam fatos nem representam a posição do site.

Ainda não há avaliações com comentário. Sua experiência pode ajudar o próximo leitor.

Para contestar um relato ou solicitar a remoção dos seus dados, entre em contato e informe a página e o comentário.

Compartilhe sua avaliação

Escreva de 60 a 200 palavras sobre esta pessoa ou projeto. Não inclua anúncios, links, insultos ou dados pessoais.

Sua experiência

0 de 200 palavras · mínimo de 60

Carregando verificação humana...

Projetos de Vitor Ramil

Alguns links podem gerar comissão para o Autoridades.org. Confira o preço e a disponibilidade na plataforma antes de comprar.

Satolep
Satolep
Romance de 2008 em que o fotógrafo Selbor volta a Satolep, anagrama de Pelotas, no dia em que completa trinta anos.
00%
00%
Ramilonga 25 anos
Ramilonga 25 anos
Edição de 25 anos do disco de 1997 em que Vitor Ramil fixou a estética do frio em onze milongas.
00%
00%
Campos Neutrais
Campos Neutrais
Disco de 2017 gravado em Porto Alegre, nomeado pela zona neutra do Tratado de Santo Ildefonso, de 1777.
00%
00%
Mantra Concreto
Mantra Concreto
Disco de 2024 em que Vitor Ramil canta poemas de Paulo Leminski, com milonga na base e máquina de escrever na percussão.
00%
00%