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Regina Navarro Lins

Nascimento: 1948 Rio de Janeiro, RJ
Psicanalista e escritora do Rio de Janeiro, discute amor, sexo e casamento em livros, TV e palestras, da Cama na Varanda ao consultório.

O título que a tornou conhecida pedia uma coisa simples e incômoda: tirar a cama da alcova e pôr o casal na varanda. Regina Navarro Lins não inventou o desejo brasileiro; ela insistiu em nomeá-lo em voz alta, primeiro no consultório, depois no rádio, nos livros da Rocco e da BestSeller e, por anos, no palco do Amor & Sexo, na TV Globo.

Carioca de 1948, psicanalista com cerca de cinco décadas de clínica, ela virou o endereço público de quem quer entender ciúme, fidelidade, monogamia e as formas de amar que a geração dos pais recusava discutir. Quem a busca hoje raramente quer só uma ficha de autora: quer saber se o amor romântico ainda serve — e o que ela de fato escreveu sobre isso.

Quem é Regina Navarro Lins

Regina Navarro Lins nasceu no Rio de Janeiro em 30 de novembro de 1948 e segue vivendo na cidade. É psicanalista, escritora e palestrante, com atuação longa em terapia individual e de casal. A página Afetos e Desejos, que reúne o trabalho recente dela, descreve 14 livros sobre relacionamento amoroso — número que varia conforme a fonte, porque edições revistas e volumes da mesma obra entram de jeitos diferentes nas listas.

O recorte que a diferencia de outros nomes da psicologia pública no Brasil é estreito e constante: amor, sexo, casamento, ciúme e as regras não ditas que as pessoas carregam para a cama. Não é clínica lacaniana de universidade, nem guia de autoajuda de fim de semana. É uma psicanalista de consultório que passou a escrever, falar no rádio e ocupar a televisão aberta com o mesmo material que ouvia no divã.

Entre as obras mais citadas estão A Cama na Varanda, O Livro do Amor (dois volumes), Novas Formas de Amar, Amor na Vitrine e Sexo na Vitrine. A primeira, lançada originalmente pela Rocco nos anos 1990 e depois revista pela BestSeller, é o livro que a editora e a imprensa tratam como best-seller, com dezenas de milhares de cópias vendidas na época do primeiro impacto.

Da PUC-Rio ao consultório

Antes de virar figura de programa de TV, Regina foi professora de Psicologia no Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio. Biografias de palestra e páginas institucionais atribuem a ela a criação da cadeira de Dinâmica de Grupo nessa escola.

Em entrevista à revista TPM, ela descreveu o desvio de rota com pouca poesia e bastante clínica: por 18 anos atendeu como “psicanalista comum”, deu aula e chegou a trabalhar em penitenciária. Percebeu que grande parte do que chegava ao consultório girava em torno de amor e sexo, cansou de ficar só na interpretação e passou a se especializar nesses dois temas, a dar palestras e a escrever. O primeiro livro, A Cama na Varanda, saiu em 1997 pela Rocco. Em 1992, segundo o mesmo depoimento, ela já havia assinado com a editora para lançar o volume — a data de publicação que ficou no catálogo é a de 1997.

O consultório nunca saiu de cena. Biografias recentes, inclusive a do Instagram e a do site Afetos e Desejos, falam em 50 anos de atendimento particular, com terapia individual e de casais. Há informação de atendimento on-line pelo e-mail público rlnl@uol.com.br, o mesmo que ela divulga nas redes. Isso não substitui a clínica presencial nem vira “curso de relacionamento”: é o consultório estendido.

O que ela discute sobre amor e sexo

A tese que atravessa livros, palestras e a talk O amor romântico em seus últimos dias, no TEDxParqueDoIngá, é seca: o amor romântico, tal como a cultura ocidental o vendeu — alma gêmea, posse, para sempre —, está em xeque. No lugar dele, ela descreve desejo, contratos mais explícitos, relações livres, poliamor, aplicativos e a dificuldade concreta de viver bem sem um par.

Não é um manifesto para todo mundo largar a monogamia. É um argumento histórico e clínico: as regras mudam, o corpo não lê folhetim, e muita gente sofre tentando cumprir um script que a própria época já abandonou. Na TPM, ela resume a posição em uma frase que virou marca: amor é uma coisa, sexo é outra. A cantora Marisa Monte chegou a citar a visão de mundo da psicanalista como influência da canção “Amar Alguém”, do disco O Que Você Quer Saber de Verdade.

Quem lê Regina em sequência percebe um método repetido, não um slogan:

  • História das mentalidades — ela recua a Grécia, o patriarcado, a Igreja e o século XX para explicar o que ainda aperta o casal contemporâneo.
  • Clínica — casos de consultório entram como ilustração, não como fofoca; o ponto é o padrão, não o nome do paciente.
  • Mídia — rádio, jornal, blog, Instagram e TV servem para testar a mesma ideia em público, com a linguagem de quem fala para leigo sem fingir que o tema é leve demais para teoria.

Há polêmica, e ela não foge. No Amor & Sexo de 19 de dezembro de 2012, afirmou que contos como Cinderela, Branca de Neve e A Bela Adormecida passam a meninas a mensagem de que a mulher só melhora de vida se for salva por um homem. O debate na bancada pegou fogo; Fernanda Lima fechou o bloco próximo a essa leitura. Quem discorda de Regina costuma acusá-la de dissolver o casamento. Quem a defende diz o contrário: ela descreve o que já acontece, em vez de prescrever um modelo novo obrigatório.

TV, rádio, colunas e redes

Na televisão, o endereço mais conhecido é o Amor & Sexo, da Rede Globo, em que atuou como consultora e especialista fixa ao lado de Fernanda Lima. Também passou quatro anos como colunista e comentarista da Globonews, no programa Em Pauta. Há créditos no IMDb em Head Over Heels 3 (2019) e participação em Terceira Metade (2025), reality apresentado por Deborah Secco sobre casais abertos a um terceiro — recorte que conversa direto com os livros dela sobre amor a três e não monogamia.

No rádio, o começo foi ruidoso de propósito. Entre 1996 e 1998 apresentou SexCidade na Rádio Cidade FM do Rio, programa diário de sexo e amor com participação de ouvintes, descrito como pioneiro no gênero naquela emissora. Depois passou por BH FM, Rádio 98, SulAmérica Paradiso e manteve crônica na Rádio Metrópole, de Salvador. Também foi colunista do jornal O Dia e teve blog por oito anos no portal UOL, ainda no ar em arquivo.

Hoje a conversa contínua está no Instagram @reginanavarrolins, no Facebook, no X @reginanavarro e no podcast/projeto Afetos e Desejos. Há lives, cursos on-line anunciados na bio e palestras pelo país — a VIP Palestras lista temas como “Amor: o futuro que se anuncia” e “A mulher e o amor”. A PUCRS Online a apresenta como professora convidada em pós-graduação, o que reforça o trânsito entre clínica, livro e aula.

No mapa da psicanálise que fala em público no Brasil, o recorte dela (amor e sexo no casal contemporâneo) não se confunde com o de Christian Dunker, mais ligado à clínica lacaniana, ao mal-estar social e à universidade. São autoridades vizinhas, não o mesmo projeto.

Por onde começar a leitura

Quem chega pelo programa de TV ou pelo Instagram costuma ir primeiro a A Cama na Varanda: é o livro da virada, o que ainda organiza ciúme, fidelidade e a ideia de “arejar” o que o casal esconde. Quem quer o diagnóstico do século XXI — Tinder, poliamor, relação livre, envelhecimento do desejo — encontra isso de forma mais direta em Novas Formas de Amar, da Planeta, o título com mais avaliações atuais na Amazon brasileira.

O Livro do Amor pede outro fôlego. São dois volumes de história do sentimento, da pré-história à atualidade; o volume 1 (BestSeller, 2012) cobre até a Renascença e funciona como porta de entrada para quem quer o argumento histórico sem pular direto para o aplicativo. Sexo na Vitrine (2022) fecha o arco recente: depois de mapear o amor contemporâneo em Amor na Vitrine, ela vira o holofote para desejo, tabu e prazer.

Regina Navarro Lins continua sendo procurada pelo mesmo motivo de 1997: muita gente vive um arranjo afetivo que a moral oficial ainda não sabe nomear. O consultório, o livro e o palco dela existem para essa conversa — sem transformar a página da pessoa em vitrine de produto, e sem fingir que amor e sexo cabem num único modelo.

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Projetos de Regina Navarro Lins

A Cama na Varanda
A Cama na Varanda
O livro que tirou o casal brasileiro do quarto fechado: Regina Navarro Lins discute amor, sexo, ciúme e fidelidade sem o script do príncipe.
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Novas Formas de Amar
Novas Formas de Amar
Regina Navarro Lins mapeia poliamor, aplicativos, desejo e o fim da alma gêmea: o amor no século XXI depois da revolução sexual.
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O Livro do Amor (Vol. 1)
O Livro do Amor (Vol. 1)
Primeiro volume da história do amor ocidental: da pré-história à Renascença, Regina Navarro Lins mostra que o casal de hoje não nasceu pronto.
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Sexo na Vitrine
Sexo na Vitrine
Depois de mapear o amor contemporâneo, Regina Navarro Lins põe o sexo na vitrine: tabu, desejo, patriarcado e prazer no século XXI.
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