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Foto de perfil de Rouxinol do Rinaré

Rouxinol do Rinaré

Antonio Carlos da Silva

Nascimento: 1966 Banabuiú, CE
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Cordelista cearense de Rinaré. Antonio Carlos da Silva assina Rouxinol do Rinaré desde 1999, entre folhetos, livros infantis e adaptações.

Rouxinol do Rinaré escolheu esse nome em 1999. Não foi apelido de palco nem sobrenome de família. Antonio Carlos da Silva o explicou, numa entrevista ao Cordel Atemporal, como homenagem ao lugar onde nasceu e a um rouxinol que fazia ninho nos frechais da casa de infância e o acordava de madrugada. Ele mesmo desfez a confusão mais comum: não canta. O pássaro ficou na memória. O ofício que saiu dali foi o verso.

Quem encontra o nome pela primeira vez costuma perguntar se é cantor, personagem ou poeta. É poeta cordelista, com livros infantis, adaptações de clássico e uma produção que a biografia pública resume em mais de oitenta títulos, entre folhetos e livros. O nome de batismo é Antonio Carlos da Silva. O nome que circula em editora, escola, feira e rede é o do pássaro e do povoado.

Quem é Rouxinol do Rinaré

Nasceu em 28 de setembro de 1966 em Rinaré, localidade então de Quixadá e hoje no município de Banabuiú, no sertão central do Ceará. A emancipação do distrito mudou o mapa. O topônimo ficou no pseudônimo. Parte da infância correu nesse sertão. Outra parte, em Pindaré-Mirim, no Maranhão. No relato de 2011, a formação literária aparece antes de qualquer oficina: nas noites de debulha, o irmão mais velho, Severino Batista, lia romances e folhetos em voz alta. O cordel, naquela casa, não era matéria de aula. Era o que se ouvia quando o serviço do dia acabava.

Nos anos 1990 mudou-se para Pajuçara, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ali fundou a Sociarte, a Sociedade dos Amigos de Rodolpho Theóphilo, e os periódicos A Porta Cultural dos Aletófilos e O Benemérito, com outros poetas. Entrou para a Academia Brasileira de Cordel. Passou a revisar originais da Tupynanquim, editora dirigida por Klévisson Viana, e a colaborar com o editorial do IMEPH, por onde saíram vários livros infantis. É pai da cordelista Julie Ane Oliveira, criada nesse ambiente de folheto e também autora publicada.

Do folheto de feira ao livro que a escola adota

A estreia pública com o nome Rouxinol do Rinaré é de 1999. A partir daí o trabalho se abre em duas direções que não se anulam. De um lado, o folheto curto: romance, peleja, ABC, gracejo, biografia, texto de encomenda. De outro, o livro ilustrado para criança e adolescente, e a adaptação de clássico para a sextilha. A ficha da coletânea publicada pela Hedra em 2007 lembra que Um curumim, um pajé e a lenda do Ceará entrou como leitura no ensino fundamental de escolas cearenses. Muita gente encontra o nome por esse caminho, e não numa banca.

O caso mais visível da segunda vida é O Alienista em cordel, adaptação do conto de Machado de Assis publicada pela Nova Alexandria, com xilogravuras de Erivaldo. A biografia registra adoção em projetos da Biblioteca Nacional e em escolas de Belo Horizonte. Em 2013 o livro entrou no catálogo de literatura das feiras de Frankfurt e de Bolonha. Em 2014, um ensaio de Alex Sander Luiz Campos, reunido pela Unimontes, examinou a passagem do conto machadiano para o verso popular. A sextilha não enfeita o clássico. Troca o narrador irônico pela estrofe e leva Simão Bacamarte a quem talvez não abra Papéis avulsos por conta própria.

Com Arlene Holanda, assinou Cordel: criar, rimar e letrar, pensado para quem produz cordel ou quer usá-lo em sala de aula. A biografia pública mais específica aponta a seleção pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, no projeto Livros na Sala de Aula. É o lado didático da mesma prática que ele leva para oficina: métrica, rima e o folheto como leitura, não só como peça de feira.

O que cabe no verso quando o tema muda

A bibliografia mostra um autor que aceita encomenda sem abandonar romance e fantasia. O primeiro lugar no I Concurso Paulista de Literatura de Cordel, em 2002, não veio de um duelo de cantadores. Veio do folheto CPTM e Metrô — rapidez, segurança e qualidade de vida, sobre transporte em São Paulo. No concurso seguinte, A história dos martírios de uma mãe iraquiana ficou em segundo lugar. O sertão está na origem. O prêmio que o tirou do circuito só cearense falava de metrô e de uma guerra distante.

Há também um ciclo em torno de Raul Seixas: o encontro com John Lennon, o encontro com Elvis Presley, a parceria com Paulo Coelho, o ABC de Raulzito e Gonzagão, o cowboy fora da lei, a consciência ecológica. São folhetos que traduzem a mitologia do rock brasileiro para a estrofe de cordel, não biografias de arquivo. Noutra ponta, a fantasia nórdica aparece em As bravuras de Donnar, o matador de dragões, depois em livro ilustrado. Com Evaristo Geraldo, o par recontou o Ramayana em O heroísmo de Rama. E Jorge e Carolina, uma linda história de amor, adapta A viuvinha, de José de Alencar.

  • Adaptações de clássico: O Alienista, de Machado de Assis; Jorge e Carolina, a partir de José de Alencar; O gato de botas; Ali Babá.
  • Infantil e lenda: Um curumim, um pajé e a lenda do Ceará; A origem do guaraná; As férias de Terezinha; Cavalo de talo, boneca de milho, pelas Edições Demócrito Rocha.
  • Folheto de circunstância e de prêmio: o cordel da CPTM, os de Patativa do Assaré e de Rachel de Queiroz, e O reino da torre de ouro, vencedor do Prêmio Alberto Porfírio de cordel inédito em 2010.
  • Quadrinhos: um poema em Tex nº 504, da Mythos Editora, e os cordéis Leituras de Dylan Dog e Nas pegadas de Dampyr, feitos com a Confraria Bonelli, em tiragem limitada e distribuição gratuita.

Prêmios, biblioteca e o nome fora do Ceará

O ano de 2010 junta três reconhecimentos de natureza diferente. O reino da torre de ouro foi classificado no Prêmio Alberto Porfírio, do edital para autores cearenses. O Prêmio Mais Cultura de Cordel, do Ministério da Cultura, na edição Patativa do Assaré, entrou no mesmo currículo. O Prêmio Manoel Coelho Raposo, na categoria selo editorial, saiu de edital da Secretaria da Cultura do Ceará. Em 2012 veio o PAIC, Prosa e Poesia. São prêmios de cordel e de edição. Explicam por que o nome aparece em edital cultural com a mesma frequência com que aparece em banca de folheto.

As homenagens seguem o mesmo mapa. Em 2006, a Secretaria da Cultura do Ceará o incluiu na celebração dos 40 anos da pasta. Em 2013, a biblioteca da Escola Profissionalizante Eusébio de Queiroz, em Eusébio, passou a levar o nome dele. Em 2015, a Assembleia Legislativa do Ceará o citou no Dia da Literatura Cearense. Biografias desse período também o associam, com outros autores cearenses, ao Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. Fora do país, o trabalho foi mencionado nas revistas francesas Latitudes, Quadrant e Infos Brésil. Não há, nesses registros, um romance nacional com cifra de vendas. Há um poeta de folheto que escola, feira de livros e um museu de língua acharam útil nomear.

Oficina, edição e onde o trabalho continua

Além de escrever, Rouxinol do Rinaré revisa, diagrama e imprime cordel de outros poetas. A página no Facebook se apresenta como espaço de folhetos, livros, vídeos e oficinas de literatura de cordel e de composição. No fim de 2025, o perfil oficial no Instagram descreveu a Rouxinol do Rinaré Edições como uma casa que naquele momento atendia poetas e projetos em dez estados: Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Alagoas, Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. É um relato do próprio perfil, não um balanço de empresa. Ainda assim, muda a pergunta de quem só procura o autor de um livro infantil: uma parte pública do ofício passou a ser editar a palavra de terceiros.

O site da coleção reúne livros à venda direta, do infantil ao paradidático, com o ilustrador creditado em cada ficha. O blog guarda cordéis e notas antigas, como os versos sobre Mariana e a apresentação de O heroísmo de Rama. YouTube, Instagram e Facebook repetem lançamento, oficina e homenagem. A coletânea Cordel: Rouxinol do Rinaré, da Hedra, de 2007, com 144 páginas, continua sendo o volume único para quem não quer um maço de folhetos soltos. O pássaro do frechal virou assinatura, selo e forma de outras pessoas publicarem.

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