Caramelo Salgado volta à infância sem adoçar o que a infância tem de torto. Em 31 de outubro de 1987, numa cidade pequena da Serra da Mantiqueira, dois primos saem para o Halloween. Gabriel tem oito anos e se veste de bruxo, ou de bruxa, atrás da fantasia que viu em filme e desenho. Pedro tem nove e vai de Homem-Aranha, na função de proteger o mais novo. Batida de porta em porta, vizinhos que nunca tinham visto o Halloween no Brasil, ameaça real misturada com a imaginada. A Rua do Sabão apresenta o livro como visão agridoce da infância, com sexualidade, identidade de gênero e racismo vistos do tamanho de criança.
A edição impressa saiu em 27 de maio de 2026. A Amazon, a Magazine Luiza e a Disal registram 156 páginas, brochura, ISBN 978-65-5245-117-0. A capa é rosa e vinho, com uma fila de crianças fantasiadas sob um poste e o nome do autor em letra grande na faixa escura. A editora anunciou o lançamento no Instagram em 8 de maio de 2026. Não é reedição de um romance antigo. É livro novo, fora da Companhia das Letras, depois de Veado Assassino.
O que a crítica já descreveu
A resenha de Beatriz Carrijo na São Paulo Review, em agosto de 2026, acrescenta cenário que a sinopse curta não detalha. Gabriel deixa São Paulo com a mãe e vai morar em Trevo da Serra, cidade pequena perto de Campos do Jordão, numa casa que fora do avô. Ali se aproxima de Pedro. A resenha destaca um menino imaginativo, preso a filme de terror, videogame e Halloween, pouco à vontade com o que se espera de um garoto da idade dele. O humor continua quando a história chega perto do medo. O texto, diz a crítica, é delicado sem ser sentimental.
Esse retrato combina com o título. Caramelo salgado não é doce puro. A editora escreve que o livro é para quem não esqueceu trauma de menino e ficou mais forte por causa dele. A frase é de apresentação, não um resultado medido. O que se pode afirmar sem forçar é o recorte: infância de fim dos anos 1980, interior paulista, fantasia, primo, e assuntos adultos ditos pela altura do olhar da criança.
Onde este romance senta na obra
Nazarian já tinha escrito infância e juventude antes, em Garotos Malditos e no infantil A Festa do Dragão Morto, este com Rogério Coelho. Caramelo Salgado não é livro ilustrado para criança pequena. A ficha de loja o trata como romance, e a discussão de gênero e racismo está no anúncio da editora como matéria do texto, não como tema escondido. Também não repete o interrogatório político de Veado Assassino nem o painel histórico de Fé no Inferno. O tamanho é curto, 156 páginas, mais perto da novela recente do que do romance de 376.
A ficha do autor que acompanha o livro, reproduzida pela Martins Fontes, diz que ele tem catorze livros publicados, por casas como Companhia das Letras, Record e Melhoramentos, e que é tradutor de mais de uma centena. O número serve para situar este título como obra tardia, não como estreia. Quem nunca leu Nazarian pode começar por aqui se o interesse for infância e pop dos anos 1980. Quem já leu o terror da serra ou o jacaré vai encontrar outro registro, mais baixo e mais doméstico.
Onde comprar sem confundir edição
O volume certo é o da Rua do Sabão, de maio de 2026. A Amazon brasileira lista essa brochura, com Santiago Nazarian como autor e a data de 27 de maio de 2026. Não há, até aqui, outra edição brasileira concorrente com outro final ou outro ilustrador. A capa rosa da editora é a capa do objeto. Sebo e box não entram nessa conta porque o livro acabou de sair.
O lançamento teve noite em São Paulo e presença em feira, anunciadas pelo autor e pela editora. Isso confirma circulação real, não só ficha de catálogo. O texto que se leva para casa é o romance dos dois primos no Halloween de 1987.





