Depois de explicar o Brasil, Celso Furtado tentou o continente. A economia latino-americana, publicada pela primeira vez em 1969, foi o primeiro livro de um latino-americano a oferecer uma síntese da formação e do desenvolvimento econômico dos países da região. Não é a Formação econômica do Brasil com os nomes trocados. É o mesmo método — história mais estrutura — aplicado a um tabuleiro em que México, Argentina, Chile, Cuba, Bolívia e o próprio Brasil entram com trajetórias distintas e um problema comum: a inserção periférica no sistema internacional.
A edição comemorativa da Companhia das Letras (536 páginas, ISBN 978-85-359-1092-6) traz apresentação de Rosa Freire d'Aguiar, prefácio de Luiz Felipe de Alencastro e fortuna crítica com textos publicados no exterior. Saiu em 22 de novembro de 2007, em brochura, e hoje circula também em impressão sob demanda.
O recorte do continente
Furtado descreve as estruturas criadas pelos conquistadores, voltadas aos interesses da metrópole; as consequências de o continente ter virado fornecedor de matérias-primas; a fase de industrialização; as reformas agrárias do México, da Bolívia, do Peru e do Chile; a economia de Cuba; as dificuldades de formação de mercados comuns. O livro é, ao mesmo tempo, um mapa histórico e uma análise da contribuição dos economistas da Cepal para inflação, planejamento e superação do subdesenvolvimento.
Quem lê em 2026 encontra um arquivo de problemas que não se aposentaram: integração regional truncada, especialização exportadora, inflação crônica, reforma agrária incompleta, industrialização dependente. O valor não está em prever o próximo ciclo de commodities. Está em mostrar que esses temas já tinham uma gramática comum na América Latina no fim dos anos 1960, escrita de dentro da periferia, não traduzida de um manual europeu.
- Síntese histórica da economia latino-americana, da conquista à industrialização.
- Leitura cepalina de inflação, planejamento e subdesenvolvimento.
- Casos nacionais (México, Bolívia, Peru, Chile, Cuba) sem virar atlas raso.
- Edição comemorativa com aparato crítico e fortuna internacional.
Para quem este volume faz sentido
Faz sentido para graduação e pós em economia, relações internacionais, história e estudos latino-americanos. Faz sentido para quem já leu a Formação e quer ver Furtado sair da escala nacional. Faz sentido para leitor que discute Mercosul, Cepal, substituições de importações e o hábito de tratar “América Latina” como bloco homogêneo — o livro justamente desfaz essa homogeneidade sem abrir mão de um diagnóstico compartilhado.
É um volume longo. Quem busca um ensaio de cem páginas deve ir ao Mito do desenvolvimento econômico. Quem busca a vida do autor, à autobiografia. Este aqui pede fôlego de tratado: capítulos de estrutura colonial, inserção internacional, indústria e política econômica comparada.
O lugar na obra
Furtado vinha da Cepal, de estudos sobre México e Venezuela e da experiência brasileira na Sudene e no Ministério do Planejamento. O livro de 1969 organiza essa circulação continental. A edição comemorativa dos 50 anos reforça o estatuto de clássico e recolhe a recepção no exterior — um lembrete de que Furtado não foi apenas “o economista brasileiro do vestibular”, e sim um autor lido no debate latino-americano de desenvolvimento.
Na Companhia das Letras, convive com Formação econômica do Brasil e Criatividade e dependência. A tríade cobre país, continente e a virada cultural da teoria. Comprar este sem ter a Formação é possível, mas o leitor brasileiro costuma ganhar mais começando pelo livro de 1959 e usando este como expansão.
Como comprar sem confundir edição
O item na Amazon correspondente ao ISBN 9788535910926 é a edição comemorativa da Companhia das Letras, com o subtítulo Formação histórica e problemas contemporâneos. Evite edições antigas sob o título Formação econômica da América Latina se a intenção for o texto com aparato de 50 anos. Capa da edição comemorativa traz a faixa “50 anos” e o nome do autor no padrão visual do selo.





