Enigmas da primavera (2015) parte de uma história de amor milenar para falar do presente. O romance atualiza o enredo de Majnun e Layla — a história de amor mais divulgada da literatura árabe, registrada em versos pelo poeta persa Nizami no século XII — e a transpõe para o tempo dos indignados espanhóis e das manifestações brasileiras de junho de 2013.
A história de Majnun e Layla no século XXI
Na versão de João Almino, o jovem Majnun se apaixona por Laila, uma mulher quinze anos mais velha e casada. Sem poder viver esse amor, ele busca respostas para as próprias fraquezas e delírios enquanto escreve uma novela e um ensaio sobre a tolerância no Islã. A leitura mistura ficção e realidade, medieval e contemporâneo; as andanças por Brasília convivem com a fixação por Laila, com a suspeita do assassinato do marido dela e com uma viagem à Espanha, onde o personagem se perde entre o presente dos protestos e o imaginário da Espanha medieval.
A estrutura em duas linhas temporais exige atenção do leitor, mas é justamente ela que sustenta a proposta: pensar intolerância, desejo e violência a partir de uma história que atravessou séculos e de um presente em ebulição.
Recepção e prêmios
O romance foi finalista do Prêmio Oceanos de Literatura em 2016, um dos dez finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura no mesmo ano e finalista do Prêmio Rio de Literatura. Em 2017, a edição em inglês, Enigmas of Spring, ficou em 2º lugar no Prêmio Jabuti. O livro foi publicado também em holandês.
Para quem acompanha a obra de João Almino, o romance marca a saída do ciclo estritamente brasiliense e a entrada em uma geografia literária mais ampla, que conecta o Brasil à Espanha e o presente ao repertório árabe-persa. A recepção crítica tratou o livro como uma atualização ambiciosa desse material clássico.
Para quem é a leitura
É leitura para quem gosta de romances que cruzam repertório clássico e acontecimento político, e para quem quer ver como um autor brasileiro contemporâneo relê uma tradição literária árabe sem transformá-la em ornamento. O resultado é um livro sobre amor, fé e fanatismo que não oferece respostas fáceis.





