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João Almino

Nascimento: 1950 Mossoró, Rio Grande do Norte
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Escritor e diplomata nascido em Mossoró (RN) em 1950, autor do Quinteto de Brasília e membro da Academia Brasileira de Letras desde 2017.

João Almino é o escritor que transformou Brasília em matéria de romance — o chamado Quinteto de Brasília — e que, em 2017, foi eleito para a cadeira 22 da Academia Brasileira de Letras. Nascido em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 1950, ele construiu uma obra que atravessa a ficção e o ensaio: são oito romances publicados, além de estudos sobre autoritarismo e democracia que se tornaram referência para pesquisadores do tema.

Diplomata de carreira, serviu em embaixadas e consulados na Europa e nas Américas. Romancista, levou para os livros a experiência de viver em cidades diferentes e de acompanhar a fundação e a maturação de Brasília. Dessa combinação nasceu uma obra traduzida para o inglês, o francês, o espanhol, o italiano, o holandês e o sérvio, entre outros idiomas.

Quem é João Almino

Nascido em 27 de setembro de 1950, em Mossoró (RN), João Almino é escritor, diplomata e membro da Academia Brasileira de Letras. Publicou oito romances e ensaios de história e filosofia política, como Os Democratas Autoritários (1980) e Naturezas Mortas: A Filosofia Política do Ecologismo (2004). É membro honorário da Academia Norte-rio-grandense de Letras e foi eleito, em 2024, para a Cadeira 4 da Academia Paranaense de Letras.

Antes de se firmar como romancista, assinou títulos como A Idade do Presente (1985), Era uma Vez uma Constituinte (1985), O Segredo e a Informação (1986), Brasil-EUA: Balanço Poético (1996) e 500 anos de Utopia (2017). Esse lado ensaístico ajuda a entender o ficcionista: a obra de Almino costuma partir de cidades, instituições e gerações para falar de utopia, poder e desencanto.

Da carreira diplomática à literatura

Bacharel em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), tem mestrado em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), doutorado em História Comparada das Civilizações Contemporâneas pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris (1980), sob a direção do filósofo Claude Lefort, e pós-doutorado no Centro de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

No Itamaraty, construiu uma carreira que passou por três continentes e por funções de direção. Alguns marcos públicos dessa trajetória:

  • Medalha de Ouro do Rio Branco, como primeiro colocado do Curso de Preparação à Carreira Diplomática do Instituto Rio Branco;
  • Diretor do Instituto Rio Branco (2001–2004) e da Agência Brasileira de Cooperação (2015–2018);
  • Embaixador em Quito e cônsul-geral em São Francisco, Lisboa, Miami, Chicago e Madri;
  • Professor na UnB, na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), no Instituto Rio Branco e nas universidades de Berkeley, Stanford e Chicago;
  • Condecorado com a Ordem Nacional do Mérito da França, a Ordem da Águia Asteca do México e a Ordem de Rio Branco, além do Global Citizens Award, da Universidade de Wisconsin-Madison.

Serviu ainda nas embaixadas do Brasil em Paris, no México e em Washington, foi encarregado de negócios em Beirute e ministro-conselheiro em Londres.

A Trilogia de Brasília e o Quinteto de Brasília

A estreia na ficção veio com Idéias para onde passar o fim do mundo (1987), que recebeu o Prêmio do Instituto Nacional do Livro e o Prêmio Candango de Literatura em 1988. Depois vieram Samba-enredo (1994) e As cinco estações do amor (2001), que fecharam o conjunto batizado pela crítica de Trilogia de Brasília. Em seguida, O livro das emoções (2008) e Cidade livre (2010) completaram o Quinteto de Brasília.

Em ensaio publicado em 2001, o escritor e crítico Silviano Santiago afirmou que, com a trilogia, João Almino se firmava como "o mais completo autor de Brasília", capaz de captar "o burburinho das vozes migrantes" da capital. Anos depois, em artigo no Valor Econômico, José Castello situou a produção de Almino num "espaço de fronteira" entre passado e futuro, utopia e realidade. A crítica Beatriz Resende, professora da UFRJ, observou que o autor colocou no universo afetivo da literatura brasileira "a cidade sem calçadas do delírio modernista".

Depois do quinteto, vieram Enigmas da primavera (2015) e Entre facas, algodão (2017). Em Homem de papel (2022), o autor retoma o conselheiro Aires, personagem dos últimos romances de Machado de Assis, e o transporta para a Brasília do século XXI.

Academia Brasileira de Letras e reconhecimento

João Almino foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 8 de março de 2017, para a cadeira 22, vaga desde a morte de Ivo Pitanguy. Tomou posse em 28 de julho do mesmo ano, recebido pela acadêmica Ana Maria Machado.

Entre prêmios e indicações, a obra acumula o Prêmio Casa de las Américas (2003), por As cinco estações do amor; o Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura (2011), por Cidade livre; e o 2º lugar no Prêmio Jabuti de 2017, com Enigmas of Spring, edição em inglês de Enigmas da primavera. Também foi finalista do Prêmio Portugal Telecom (2011), do Prêmio Jabuti (2011), do Prêmio Oceanos (2016) e do Prêmio São Paulo de Literatura (2016 e 2023), além de indicado ao International IMPAC Dublin Literary Award em 2014 e 2015.

O que ler de João Almino

Cinco romances ajudam a acompanhar a trajetória do autor:

  • Idéias para onde passar o fim do mundo (1987) — romance de estreia e primeiro tijolo do ciclo de Brasília;
  • As cinco estações do amor (2001) — vencedor do Prêmio Casa de las Américas, ganhou nova edição pela Editora Record;
  • O livro das emoções (2008) — narrado por um fotógrafo cego e indicado ao IMPAC Dublin Literary Award;
  • Cidade livre (2010) — vencedor do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura;
  • Homem de papel (2022) — diálogo direto com Machado de Assis e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura.

A ficção de João Almino circula em traduções para o inglês, o francês, o espanhol, o italiano, o holandês e o sérvio, e a fortuna crítica sobre a obra é formada por estudiosos como Silviano Santiago, Walnice Nogueira Galvão, João Cezar de Castro Rocha e Pedro Meira Monteiro.

Perguntas rápidas sobre João Almino

Onde e quando João Almino nasceu?

Em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 27 de setembro de 1950.

Quantos romances João Almino publicou?

Oito, de Idéias para onde passar o fim do mundo (1987) a Homem de papel (2022).

O que é o Quinteto de Brasília?

É o conjunto de cinco romances de João Almino ambientados em Brasília e em torno de sua construção: Idéias para onde passar o fim do mundo, Samba-enredo, As cinco estações do amor, O livro das emoções e Cidade livre.

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Homem de papel
Homem de papel
Romance de 2022 em que João Almino traz o conselheiro Aires, de Machado de Assis, para a Brasília do século XXI.
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Cidade livre
Cidade livre
Romance de 2010 sobre a construção de Brasília, narrado em forma de blog e vencedor do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura.
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