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Não há tempo a perder

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Depoimento de Amyr Klink a Isa Pessoa sobre escassez, medo e a decisão de partir, além dos relatos de bordo.

Não há tempo a perder desloca Amyr Klink da bitácula para o depoimento. Lançado em 2016 pela Tordesilhas, em conversa com Isa Pessoa, o livro não refaz a travessia a remo nem a circum-navegação polar: reúne infância em Paraty, adolescência, erros, crises e a teimosia de transformar escassez em partida. O próprio navegador avisa o tom: não existem planos perfeitos, mas existe o momento em que é preciso ir.

O eixo é o contrário da autoajuda de palco. Klink fala de medo, de burocracia, de barco que não sai do quintal, de sonho que encalha. A infância no litoral, a formação em economia na USP, a pós no Mackenzie e as expedições aparecem como matéria, não como medalha. O leitor que chegou pelos livros da Companhia das Letras encontra aqui o comentário posterior: o que restou de método depois que as viagens viraram obra impressa e palestra.

Há uma frase que o próprio volume carrega como bússola: os planos reduzem os riscos, mas não garantem que tudo vai dar certo. Por isso o título não é convite a correr. É aviso contra a eternização do rascunho. O homem que adiou partidas até considerar o projeto seguro também viu gente que viajou só no sonho. O livro habita essa tensão, em 216 páginas de depoimento, sem transformar a vida numa palestra transcrita.

Isa Pessoa organiza a fala; a voz continua sendo a de Klink. Infância em Paraty, pressão, erro e a recusa do plano perfeito aparecem lado a lado com as expedições que o leitor talvez já conheça. O volume serve de chave para as palestras de planejamento: o mesmo homem que fala de equipe e risco no palco admite, no papel, que há barco que nunca sai do quintal. Essa honestidade é o ganho editorial do livro, não um recorde novo.

O que muda em relação aos relatos de bordo

Cem dias entre céu e mar e Mar sem fim são diários de rota. Este é um depoimento transversal. Serve a quem já conhece as expedições e quer o encaixe entre elas — e a quem chegou pela palestra de planejamento e precisa de um texto que não seja slide. A editora Tordesilhas publica o volume à parte do ciclo clássico da Companhia das Letras, o que reforça o caráter de balanço.

  • Depoimento de 2016 sobre escassez, medo e a decisão de partir.
  • Leitura complementar aos relatos de bordo, não substituto deles.
  • Porta de entrada para quem conheceu Klink pelo palco, não pelo IAT.

Não promete fórmula de gestão nem biografia intimista. Entrega um navegador falando, com a prosa seca de sempre, sobre o preço de não partir — e sobre o preço, igualmente alto, de partir cedo demais. Para o leitor apressado, o recado está no título. Para o leitor atento, está na recusa de um plano perfeito.

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Cem dias entre céu e mar
Cem dias entre céu e mar
Relato da travessia a remo do Atlântico Sul em 1984, da Namíbia à Bahia, no barco IAT. Porta de entrada da obra de Amyr Klink.
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Mar sem fim
Mar sem fim
Circum-navegação polar solitária de Amyr Klink no veleiro Paratii, pela rota mais curta e difícil ao redor da Antártica.
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Paratii entre dois pólos
Paratii entre dois pólos
Invernagem na Antártica e travessia até o Ártico a bordo do primeiro veleiro Paratii, partido de Paraty em 1989.
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Linha-d'água
Linha-d'água
Construção do Paratii 2 e a circum-navegação polar com tripulação, entre estaleiros e homens do mar.
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