Paratii: entre dois pólos é o livro da invernagem antártica e da travessia que ligou o extremo sul ao extremo norte. Depois de cruzar o Atlântico a remo, Amyr Klink projetou um veleiro para viver no gelo, deu a ele o nome da cidade que o formou — Paraty, grafada Paratii — e partiu em dezembro de 1989 rumo a um ano no continente branco.
O Paratii ficou cerca de sete meses preso no gelo da baía de Dorian. A invernagem solitária não é cenário de cartão-postal: é rotina de barco imóvel, escuridão, manutenção e a espera de um degelo que permita seguir. Em 1991, Klink deixou a Antártica rumo ao Ártico, alcançou a ilha de Moffen e voltou a Paraty em outubro, fechando um arco de dezenas de milhares de quilômetros entre os dois pólos. O livro, lançado em 1992 pela Companhia das Letras, é o documento dessa ida e volta.
Aqui o navegador deixa de ser só o homem do remo. Aparece o projetista, o invernante, o comandante que aceita o gelo como teto por meses. A escrita continua de bordo, mas o tempo muda: em vez de cem dias de avanço diário, há a estação inteira de um barco que não anda. Para o leitor, isso desloca a pergunta. Não é “como ele chegou”. É “como ele ficou”.
O título carrega o nome do barco e o eixo geográfico. Entre dois pólos não é slogan: é o itinerário. Da baía de Dorian à ilha de Moffen, o Paratii testa se um veleiro brasileiro desenhado para o gelo aguenta o calendário polar, não só uma travessia de verão. Lançado em 1992, o volume entrou na prateleira da Companhia das Letras ao lado da estreia a remo e preparou o terreno para a circum-navegação que viria no fim da década.
O lugar deste livro na obra
Entre Cem dias entre céu e mar e Mar sem fim, este volume é a dobradiça. Sem a invernagem e sem o desenho do primeiro Paratii, a circum-navegação polar de 1998 não existiria do mesmo jeito. O livro de fotografias As janelas do Paratii complementa o olhar visual da mesma época; Paratii: entre dois pólos carrega a narrativa.
- Relato da invernagem na Antártica e da travessia até o Ártico.
- Primeiro veleiro polar de Klink, o Paratii, partido de Paraty em 1989.
- Leitura para quem quer o intervalo entre o remo de 1984 e a volta ao mundo no gelo.
Não é guia da Antártica nem biografia familiar, embora Marina e as filhas atravessem o horizonte da partida. É o livro de um barco e de um inverno. Quem o lê costuma sair com uma imagem persistente: um casco brasileiro parado no gelo, esperando a luz voltar para poder ir ao outro pólo.





