Alexei Bueno tinha 17 anos quando concluiu a tradução de O Corvo, de Edgar Allan Poe, e passou mais de três décadas revendo o texto — um detalhe que explica o método de um escritor que tratava a literatura brasileira como patrimônio a ser lido, conferido e devolvido ao público. Poeta, ensaísta, editor e tradutor nascido no Rio de Janeiro, ele morreu na madrugada de 27 de junho de 2026, aos 63 anos, em casa, enquanto tratava um câncer.
Quem chega ao nome hoje costuma procurar duas coisas: entender quem foi o poeta premiado e descobrir por onde começar a ler a obra dele. Alexei Bueno aparece nas capas de edições que recolocaram em circulação Augusto dos Anjos, Cruz e Sousa, Olavo Bilac e Vinicius de Moraes, mas é também autor de uma poesia própria, de tom metafísico, e de uma história da poesia brasileira que virou referência de estudo.
Quem foi Alexei Bueno
Alexei Bueno nasceu no Rio de Janeiro em 26 de abril de 1963. Formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde se dedicou a estudos de literatura e filologia que atravessam toda a sua produção — nos versos, nos ensaios e no trabalho de fixação de textos clássicos.
Entre 1999 e 2002, dirigiu o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (INEPAC) do Rio de Janeiro e integrou o Conselho Estadual de Tombamento, experiência que aproximou sua escrita de temas como cidade, memória e preservação, presentes em livros como Gamboa, O patrimônio construído e Os Monumentos do Rio de Janeiro. Foi membro do PEN Clube do Brasil e colaborou com órgãos de imprensa no Brasil e no exterior.
Da estreia aos prêmios: a poesia como ofício
Alexei Bueno estreou em 1984 com As escadas da torre, seguido de Poemas gregos (1985) e Livro de haicais (1989). A virada de prestígio veio com A via estreita (1995), que recebeu o Prêmio Alphonsus de Guimaraens, da Biblioteca Nacional, e o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). Em 2004, Poesia reunida conquistou o Prêmio Jabuti de Poesia.
Depois vieram Anamnese (2016), Cerração (2019), O sono dos humildes (2021) — vencedor do Prêmio Candango de Literatura e do Prêmio Alphonsus de Guimaraens —, A noite assediada (2022), Naquele remoto agora (2024), O irrefreável (2025) e A chave quebrada (2026).
A crítica costuma situá-lo numa linhagem de poesia metafísica, atenta a formas fixas e à herança clássica. A estudiosa Mires Batista Bender escreveu que ele faz parte do seleto grupo de autores que praticam poesia metafísica no Brasil; o professor português Arnaldo Saraiva o apresentou, no prefácio de Desaparições, como talvez a mais poderosa voz da poesia brasileira revelada nas últimas décadas.
O editor que trouxe clássicos de volta
O trabalho de editor talvez seja a marca mais visível de Alexei Bueno na estante brasileira. Para a coleção Nova Aguilar, organizou obras completas de Cruz e Sousa e de Olavo Bilac, além de volumes de Augusto dos Anjos, Mário de Sá-Carneiro, Jorge de Lima, Almada Negreiros, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Vinicius de Moraes.
Assinou edição comentada de Os Lusíadas (1993) e antologias como Grandes poemas do Romantismo brasileiro (1994) e Duelos no serpentário (2005), organizada com George Ermakoff. Em 1999, ao lado de Alberto da Costa e Silva, montou a Antologia da poesia portuguesa contemporânea; em 2002, a convite da UNESCO, organizou em Paris a Anthologie de la poésie romantique brésilienne.
Uma história da poesia brasileira e os ensaios
Publicado em 2007, Uma história da poesia brasileira percorre séculos de produção em língua portuguesa e virou ponto de apoio para estudantes e leitores que querem entender a formação da tradição lírica do país. Cinco anos depois, Machado, Euclides & outros monstros (2012) reuniu ensaios sobre autores como Machado de Assis, Castro Alves, Euclides da Cunha e Raul Pompeia.
Em 2022, A escravidão na poesia brasileira: do século XVII ao XXI cobriu cerca de 350 anos de poesia em torno de um tema central, reunindo dezenas de poetas e mais de 220 poemas — muitos pouco conhecidos ou nunca antes publicados em livro.
Como tradutor, verteu para o português As Quimeras, de Gérard de Nerval, e poemas de autores como Poe, Longfellow, Mallarmé, Torquato Tasso e Leopardi, reunidos em Cinco séculos de poesia (2013), em edição bilíngue.
O que ler primeiro de Alexei Bueno
Para quem quer começar, a obra se organiza em trilhas:
- Poesia própria: Anamnese (2016) e O sono dos humildes (2021) são boas portas de entrada.
- História literária: Uma história da poesia brasileira (2007) funciona como panorama de estudo.
- Tradução: Cinco séculos de poesia (2013) mostra o tradutor de Poe, Mallarmé e Leopardi.
- Ensaio e antologia: A escravidão na poesia brasileira (2022) revela o pesquisador de arquivos.
Obras de referência de autores que ele organizou, como Machado de Assis e Cruz e Sousa, ajudam a medir o alcance desse trabalho de recuperação. Para continuar navegando, a página de literatura reúne autores do mesmo campo.
Perguntas frequentes
Quem foi Alexei Bueno?
Poeta, ensaísta, editor e tradutor carioca, nascido em 1963 e morto em 2026. Organizou obras completas de clássicos brasileiros, escreveu Uma história da poesia brasileira e recebeu prêmios como o Jabuti de Poesia e o Candango de Literatura.
Qual livro de Alexei Bueno ler primeiro?
Depende do interesse. Para conhecer a poesia dele, Anamnese e O sono dos humildes; para um panorama histórico, Uma história da poesia brasileira; para o tradutor, Cinco séculos de poesia.
Por que Alexei Bueno é importante para a poesia brasileira?
Porque uniu a obra própria a um trabalho raro de edição e pesquisa, devolvendo ao leitor textos de Cruz e Sousa, Olavo Bilac, Gonçalves Dias e outros nomes fora de circulação, além de mapear a produção lírica do país em ensaios e antologias.
Onde encontrar os livros de Alexei Bueno?
Os títulos estão disponíveis em livrarias e em plataformas digitais; as edições atuais podem ser encontradas na Amazon, e a página de projetos deste perfil reúne as principais.






