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João Paulo Cuenca

J.P. Cuenca

Nascimento: 1978 Rio de Janeiro, RJ
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Escritor e cineasta carioca, J.P. Cuenca é autor de Descobri que estava morto e voz da ficção contemporânea entre romance, crônica e cinema.

João Paulo Cuenca descobriu que estava morto enquanto ainda publicava crônica e romance. Em 2011, um cadáver foi identificado com a certidão de nascimento dele num prédio invadido da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. A polícia tinha um morto; o escritor, uma história que ninguém pediria para inventar.

Nasceu na mesma cidade, em 1978, e também assina como J.P. Cuenca. Quem procura o nome quer o autor de Descobri que estava morto, o cineasta de A morte de J.P. Cuenca e o cronista que passou por Folha de S.Paulo e O Globo. A obra anda entre romance urbano, autoficção, jornal e documentário, sem se acomodar numa prateleira só.

Quem é João Paulo Cuenca

João Paulo Cuenca é escritor e cineasta argentino-brasileiro, formado na UFRJ, com livros traduzidos para oito idiomas e direitos vendidos a onze países. A literatura que o tornou reconhecível não promete retrato suave do Brasil: mistura Rio de Janeiro, identidade roubada, metalinguagem e um olhar de quem também escreveu para jornal toda semana.

Em 2007, o Hay Festival e a organização de Bogotá Capital Mundial do Livro o incluíram entre os 39 autores latino-americanos mais visíveis com menos de 39 anos, a lista Bogotá39. Em 2012, a revista britânica Granta o escolheu entre os vinte melhores romancistas brasileiros jovens, na mesma geração em que entrou Daniel Galera. O recorte ajuda a situar a carreira, mas não explica o que o leitor encontra na página: um autor que trata a própria biografia como matéria instável.

Além dos romances, Cuenca escreveu teatro, roteiro de televisão e crônica. Participou da minissérie Afinal, o que querem as mulheres?, na Rede Globo, com Cecilia Giannetti e Michel Melamed, em 2011. Foi comentarista de cultura no Estúdio i, da Globo News, entre 2008 e 2014, e apresentou Nada tenho de meu no Canal Brasil. A voz pública dele não nasceu só no livro: nasceu também no comentário semanal, no palco e na câmera.

De Corpo presente à lista da Granta

A estreia em romance veio com Corpo presente, publicado pela Planeta em 2003 e reeditado depois pela Companhia das Letras. O livro fragmenta identidades, gênero e classe num Rio noturno, com capítulos curtos e um jogo de personagens que se trocam. Não é um cartão de visitas educado: é um começo áspero, sexualizado e formalista, que já anunciava a obsessão posterior por quem narra e por quem ocupa o nome.

Em 2007 saiu O dia Mastroianni, pela Agir, depois reeditado pela Record. Em vinte e quatro horas, Pedro Cassavas e Tomás Anselmo flanam pelo Rio, entram em festas sem convite e testam os clichês da juventude de classe média dos anos 1990. A crítica da época tratou o segundo livro como resposta ao desafio clássico depois de uma estreia falada: como não repetir o primeiro gesto e, ao mesmo tempo, não fingir profundidade onde o tema é precisamente a falta de originalidade.

O salto internacional mais nítido chegou em 2010, com O único final feliz para uma história de amor é um acidente, pela Companhia das Letras, no projeto Amores Expressos. Cuenca foi um dos dezesseis autores brasileiros enviados a cidades do mundo para escrever um romance; o dele se passa em Tóquio, entre Kabukicho, vigilância paterna e uma história de amor atravessada por voyeurismo e cultura pop japonesa. A edição brasileira teve traduções na Espanha, Alemanha, França, Estados Unidos, Finlândia e Romênia.

Marcos que ajudam a localizar a trajetória:

  • Estreia com Corpo presente em 2003 e segundo romance O dia Mastroianni em 2007.
  • Inclusão na Bogotá39 em 2007 e na Granta dos jovens romancistas brasileiros em 2012.
  • Crônicas reunidas em A última madrugada, pela LeYa, em 2012.
  • Descobri que estava morto venceu o Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional e foi finalista do Jabuti.
  • Primeiro longa como diretor e roteirista, A morte de J.P. Cuenca, no circuito de festivais a partir de 2015.

Quando a certidão de óbito chegou primeiro

O caso da Lapa não é lenda de orelha. Em 2008, segundo o próprio relato público que alimentou livro e filme, um corpo foi encontrado num edifício invadido e identificado com os documentos de João Paulo Cuenca. Anos depois, o escritor recebeu a notícia de que constava como morto. A investigação real virou o romance Descobri que estava morto, publicado em Portugal pela Caminho em 2015 e no Brasil pela Tusquets em 2016, e o documentário de estreia na direção.

A morte de J.P. Cuenca, produção da Duas Mariola com Marina Meliande e Felipe Bragança, passou pelo Festival do Rio, pela Mostra de São Paulo e teve estreia europeia na mostra competitiva do CPH:DOX, na Dinamarca. O projeto havia sido selecionado para o primeiro workshop do Biennale College — Cinema, da Bienal de Veneza, e ganhou coprodução da RioFilme com o Canal Brasil. No filme, Cuenca aparece como investigador de si mesmo: o homônimo morto, o Rio em obras para a Copa e uma cidade que apaga endereços enquanto fabrica outro cadastro.

O livro e o filme não são o mesmo objeto. O romance trabalha autoficção, distopia carioca e a pergunta clássica da morte do autor, agora no sentido policial. O longa opera como meta-documentário noir. Juntos, explicam por que tanta busca pelo nome não começa num prêmio nem numa lista estrangeira: começa na frase impossível de ignorar, a de um escritor vivo lendo o próprio óbito.

Crônica, jornal e a vida pública da voz

Desde 2003 Cuenca escreveu crônicas e colunas para veículos como Tribuna da Imprensa, Jornal do Brasil, O Globo, Folha de S.Paulo, The Intercept Brasil e DW Brasil. A antologia A última madrugada recolhe parte dessa produção. Em 2021 a Record publicou Qualquer lugar menos agora, crônicas de viagem escritas para tempos de quarentena. A prosa de jornal não é biografia menor: é o treino de olhar curto, de cidade e de comentário que depois entra no romance com outra densidade.

Houve também teatro. Em 2011, assinou o roteiro de Terror, com direção de Pedro Brício, e coassinou com Fernanda Félix a peça Fragmentos, a partir de Roland Barthes. Leu e falou em universidades como PUC-Rio, UFRJ, Columbia, Princeton, Yale, Brown, UCLA e Stanford, e passou por festivais como Hay Festival Cartagena, Festival Internacional de Literatura de Berlim, Feira do Livro de Frankfurt e Flip. Em 2010 foi curador do próprio Amores Expressos; depois curou cafés literários da Bienal do Livro da Bahia e de Belo Horizonte.

A presença pública inclui o Instagram @jpcuenca e o site jpcuenca.com. O trabalho visível é o do autor, do filme e das editoras que publicam os livros.

Como acompanhar os livros e o cinema

Para quem chega agora, Descobri que estava morto continua a porta mais frequentada, porque junta o caso real, o Rio pré-olímpico e o prêmio da Biblioteca Nacional. Quem quiser o começo da voz vai a Corpo presente. Quem quiser o segundo romance, mais ácido e mundano, vai a O dia Mastroianni. Quem quiser o livro de Tóquio e do Amores Expressos, O único final feliz para uma história de amor é um acidente. A crônica está em A última madrugada e em Qualquer lugar menos agora.

Na livraria, a rota mais estável é a página de autor na Amazon e as edições da Companhia das Letras, Tusquets e Record. O filme circula em catálogos de festival e em menções da imprensa como desdobramento, não como substituto, do romance. A coluna na Folha e o arquivo no Globo mostram o cronista em tempo real, com outra cadência.

Onde João Paulo Cuenca nasceu?

No Rio de Janeiro, em 4 de agosto de 1978. É escritor argentino-brasileiro.

Por onde começar a ler?

Se a curiosidade for o caso da identidade, comece por Descobri que estava morto. Se for a formação da prosa, Corpo presente. Se for o livro de Tóquio, o romance de 2010.

João Paulo Cuenca só escreve romance?

Não. Publicou crônica, escreveu teatro e televisão, comentou cultura na Globo News e dirigiu o longa A morte de J.P. Cuenca.

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Corpo presente
Corpo presente
Primeiro romance de J.P. Cuenca, reeditado pela Companhia das Letras, sobre identidades que se trocam num Rio noturno.
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