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Nelson Motta

Nelsinho

Nascimento: 1944 São Paulo, SP / Rio de Janeiro, RJ
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Jornalista, letrista e produtor musical nascido em São Paulo em 1944. Assina Como uma onda, Dancin' Days e o livro Noites tropicais.

Em 1966, Saveiros, parceria de Nelson Motta com Dori Caymmi, venceu a fase nacional do Festival Internacional da Canção na voz de Nana Caymmi. Quem busca o nome hoje não encontra um vencedor de festival parado no tempo. Encontra um paulistano nascido em 29 de outubro de 1944, criado no Rio de Janeiro desde os seis anos, que passou por jornal, gravadora, televisão, disco e livro sem largar a música popular.

A busca costuma chegar por uma letra, um livro ou uma crônica. Como uma onda, com Lulu Santos, Dancin' Days, com Ruban, Coisas do Brasil, com Guilherme Arantes, e Bem que se quis, o primeiro sucesso de Marisa Monte, explicam o ouvinte. Noites tropicais e a biografia de Tim Maia explicam o leitor. A coluna de jornal e os quinze anos no Jornal da Globo explicam quem procura o cronista. Ele mesmo já se descreveu como falso carioca: o registro é de São Paulo, a cidade que formou o ofício é o Rio.

Quem é Nelson Motta

Nelson Cândido Motta Filho, o Nelsinho das memórias e das conversas de quem o trata de perto, junta ofícios que pareceriam carreiras separadas. Jornalista, compositor, produtor musical, roteirista e escritor. A Enciclopédia Itaú Cultural aponta o papel dele na divulgação da MPB e da cultura pop. Em fevereiro de 1968, na coluna Roda Viva do jornal Última Hora, publicou a crônica Cruzada Tropicalista, lembrada como uma das primeiras vezes em que a palavra tropicalismo apareceu na imprensa.

A discoteca, a letra de novela, o disco de uma cantora no começo e o romance que virou microssérie saíram da mesma mesa. Quem chega pela música e encontra o livro, ou o contrário, topa com o modo como ele trabalhou, não com um desvio de rota.

Do nascimento em São Paulo à redação no Rio

Os pais, Nelson Cândido Motta, o Nelsão, e Maria Cecília de Brito Franco, a Xixa Motta, formaram-se em Direito. A mãe estudou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. O pai também exerceu o jornalismo por alguns anos. O avô paterno, Cândido Motta Filho, participou do modernismo brasileiro. A família deixou São Paulo ainda na infância dele. A mudança para o Rio se deu em 1950, quando ele tinha seis anos.

Antes da redação, estudou design. A profissão que ficou foi outra. Em 1968 assumiu a coluna no Última Hora. Entre 1969 e 1973 apresentou o diário Papo Firme, cinco minutos de comentário musical no horário nobre da Globo. No mesmo 1969 produziu Em Pleno Verão, de Elis Regina, e modernizou o repertório dela. No fim da década de 1980 produziu o disco de estreia de Marisa Monte.

Quais músicas carregam o nome dele

A conta pública passa de trezentas canções. Entre os parceiros repetidos nas fichas estão Lulu Santos, Rita Lee, Ed Motta, Guilherme Arantes, Dori Caymmi, Erasmo Carlos, Marcos Valle e a banda Jota Quest. A bossa que ele viu de perto também passa por Vinicius de Moraes, Tom Jobim e João Gilberto, nomes que depois voltaram nos livros e num musical.

Quatro faixas bastam para situar quem só conhece o rádio:

  • Como uma onda, com Lulu Santos, de 1983, ao lado de outras letras feitas para ele no começo da década, como De repente, Califórnia, Areias escaldantes, Sereia, Tudo azul e Certas coisas.
  • Dancin' Days, com Ruban, gravada pelas Frenéticas em 1978 e tema de abertura da novela da Globo.
  • Coisas do Brasil, com Guilherme Arantes, de 1986.
  • Bem que se quis, versão em português que se tornou o primeiro sucesso de Marisa Monte.

Dancin' Days tem endereço e hora. Na faixa do disco Nelson 70 cantada por Gaby Amarantos, a nota do próprio Motta diz que a música foi feita em meia hora com Ruban Barra, pianista das Frenéticas, na casa dele no Joá, a pedido de Daniel Filho, para a novela de Gilberto Braga. A letra celebrava a discoteca de 1976. Essa casa, a Frenetic Dancing Days Discotheque, funcionou quatro meses, de agosto a dezembro, no Shopping da Gávea. Ele a abriu com Scarlet Moon, Leonardo Netto, Dom Pepe e Djalma Limongi. A novela de 1978 pegou o nome emprestado. Décadas depois, o musical O Frenético Dancin' Days, escrito com Patrícia Andrade e dirigido por Deborah Colker, voltou a essa noite. A filha Joana Motta produziu o espetáculo.

Um Novo Tempo, com Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, entrou no repertório de fim de ano da Globo. O ciclo da disco, das Frenéticas e da boate curta no Gávea não ficou num parêntese: virou letra, novela, livro e peça.

Jornal, gravadora e televisão

Foi diretor artístico da Warner Music e produtor da PolyGram. Produziu discos e espetáculos de Elis Regina, Marisa Monte, Gal Costa e Daniela Mercury. No GNT, integrou o Manhattan Connection com Lucas Mendes e Paulo Francis entre 1992 e 2000.

No impresso, as datas se sucedem sem um único emprego contínuo. Última Hora em 1968. O Globo de 1973 a 1980 e de novo de 1995 a 2000. Folha de S.Paulo entre 2003 e 2009. O jornal ainda reúne os textos numa página de coluna. Em novembro de 2008 ele passou a comentar cultura e comportamento no Jornal da Globo, às sextas-feiras. A coluna ficou no ar até 29 de dezembro de 2023. Em quinze anos, foram 649 edições.

Em 2005 recebeu a Ordem de Rio Branco no grau de Oficial, por decreto de 25 de agosto. Em 2016 foi homenageado no Grammy Latino. Em 2014, aos setenta anos, saiu o disco Nelson 70, com leituras de suas músicas por Lenine, Marisa Monte, Ana Cañas, Gaby Amarantos e outros, além de um documentário no Canal Brasil.

Livros que contam partes diferentes

A estante não é a mesma história repetida em outro formato. Noites tropicais, Objetiva em 2000 e depois edição revista pela HarperCollins, é o relato de quem esteve na sala entre a bossa nova e o rock do começo dos anos 1990. Vale tudo é a biografia de Tim Maia escrita por um amigo próximo, matéria do musical de 2011 e de uma adaptação para o cinema. O canto da sereia, romance de 2002 pela Objetiva, virou microssérie da Globo exibida em 2013. De cu pra lua, Estação Brasil, 2020, narra a vida na terceira pessoa, com o protagonista chamado Nelsinho. Corações de papel, Record, 2024, reúne cartas escritas em 1964 e 1965 para Ana Luísa, namorada da época da faculdade, e foi a estreia dele nessa editora.

Há ainda A primavera do dragão, sobre a juventude de Glauber Rocha, 101 canções que tocaram o Brasil e os musicais Elis, a musical, com Patrícia Andrade, S'imbora, sobre Wilson Simonal, e o musical de Tom Jobim do qual ele é um dos autores, citado na cobertura dos oitenta anos. Cada obra principal tem página própria. No perfil, a diferença é de uso: memória da música, biografia de um amigo, romance passado na Bahia, autobiografia e carta de juventude.

No Instagram @nelsonmotta a apresentação cabe em uma linha: jornalista, escritor e compositor. Em maio de 2024, numa crônica no Globo, ele comemorou 200 mil seguidores nessa página. O canal do YouTube que se apresenta como oficial guarda o Nelson 70 e vídeos curtos. A estante em português está reunida na página de autor da Amazon.

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Biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta, amigo do cantor desde os anos 1970, em edição da Objetiva.
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De cu pra lua
De cu pra lua
Memórias de Nelson Motta narradas na terceira pessoa, com o protagonista Nelsinho, pela Estação Brasil em 2020.
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