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Francisco de Assis Barbosa

Nascimento: 1914 Guaratinguetá, SP
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Jornalista, biógrafo e historiador, Francisco de Assis Barbosa (1914-1991) escreveu A vida de Lima Barreto e ocupou a cadeira 13 da Academia Brasileira de Letras.

Entre os livros que mudaram a forma de contar a vida de escritores no Brasil está uma biografia publicada em 1952 por um jornalista de redação. Francisco de Assis Barbosa (1914-1991) pesquisou arquivos, jornais e documentos para reconstruir a trajetória de Lima Barreto e fez desse trabalho um marco de pesquisa histórica e literária. Nas décadas seguintes, repetiu o método em obras sobre Santos Dumont, Machado de Assis, Juscelino Kubitschek e Bernardo Guimarães, atuou como editor de enciclopédias, assessorou a Presidência da República na área de documentação e ocupou a cadeira 13 da Academia Brasileira de Letras.

Quem foi Francisco de Assis Barbosa

Francisco de Assis Barbosa nasceu em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, em 21 de janeiro de 1914. Filho de Benedito Lourenço Leme Barbosa e Adelaide Limongi Barbosa, fez os primeiros estudos na cidade natal e concluiu o secundário em Lorena. Em 1931, ingressou na Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro. Foi ali, antes da formatura, que a carreira na imprensa começou.

Com Donatelo Grieco e Fernando de Castro, lançou o jornal Polêmica e depois assumiu a redação-chefe da revista A Época, órgão oficial do corpo discente da faculdade. A partir de 1934, entrou nas grandes redações cariocas: foi redator de A Noite e de O Imparcial, passou por A Noite Ilustrada, Vamos Ler, Carioca e Diretrizes, colaborou na Revista do Globo e trabalhou no Correio da Manhã, no Diário Carioca, na Folha da Manhã e na Última Hora. Em 1965, editou os cadernos do Jornal do Brasil comemorativos do IV Centenário da cidade do Rio de Janeiro.

Arquivos, enciclopédias e serviço público

O trabalho de Barbosa foi além da reportagem diária. Nos anos 1940, foi técnico de educação na seção de publicações do Instituto Nacional do Livro, sob a chefia de Sérgio Buarque de Holanda, e secretário-executivo do Manual Bibliográfico de Estudos Brasileiros, dirigido pelo professor americano William Berrien. Foi também assessor da W. M. Jackson Editores, redator dos Anais e Documentos Parlamentares, redator da Encyclopaedia Britannica e coordenador da seção de História do Brasil da Enciclopédia Barsa, entre 1961 e 1965. Em 1971, foi coeditor da Enciclopédia Mirador Internacional, e a partir de 1966 dirigiu a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Na administração pública, foi assessor de documentação da Presidência da República no governo de Juscelino Kubitschek e procurador de 1ª categoria do Estado da Guanabara, entre 1960 e 1965. Em 1975, foi vice-presidente da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura de São Paulo, e no ano seguinte foi contratado pelo governo paulista para elaborar o plano de remodelação do sistema arquivístico do estado. Integrou o Conselho Federal de Cultura, a Comissão de Literatura de São Paulo e o conselho de defesa do patrimônio histórico paulista. Em 1977, passou a integrar o corpo de diretores da Fundação Casa de Rui Barbosa, à frente do Centro de Estudos Históricos.

No ensino, foi assistente da direção da Faculdade Nacional de Filosofia em 1944, quando o diretor era San Tiago Dantas, e professor visitante da Universidade de Wisconsin em 1968, com um curso de História das Ideias Políticas no Brasil. Integrou a banca de cátedra de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo em 1965 e participou, no ano seguinte, do VI Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, promovido pelas universidades de Harvard e Columbia.

A vida de Lima Barreto e a escrita biográfica

O título que firmou seu nome foi A vida de Lima Barreto, publicado em 1952. O livro reconstrói a trajetória do autor de Triste fim de Policarpo Quaresma, da infância no Rio de Janeiro aos anos de imprensa, dificuldades financeiras e internações em hospital psiquiátrico, usando jornais, documentos e a própria cidade como cenário. A obra ganhou reedições e continua impressa. Anos mais tarde, Barbosa voltaria ao tema como organizador de uma edição das Obras completas de Lima Barreto, em parceria com Antônio Houaiss e M. Cavalcanti Proença.

Como biógrafo, dedicou-se a personagens de áreas distintas: Santos Dumont, em livro para jovens leitores; Machado de Assis, em perfil biográfico curto; Juscelino Kubitschek, em Uma revisão na política brasileira; e Bernardo Guimarães, em A viola e o sertão. Publicou ainda os ensaios de Retratos de família e os estudos de Achados do vento, além de organizar uma antologia de poemas de Manuel Bandeira.

Academia Brasileira de Letras: cadeira 13

Em 19 de novembro de 1970, Francisco de Assis Barbosa foi eleito para a cadeira 13 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Augusto Meyer. Tomou posse em 13 de maio de 1971, recebido pelo acadêmico Marques Rebelo, e anos depois recebeu na casa os acadêmicos Carlos Chagas Filho e Orígenes Lessa. Barbosa morreu no Rio de Janeiro em 8 de dezembro de 1991; a cadeira passou então para Sergio Paulo Rouanet.

Obras principais

  • A vida de Lima Barreto (1952) — biografia que se tornou referência nos estudos sobre o escritor;
  • Retratos de família (1954) — ensaios sobre personalidades da cultura brasileira;
  • Machado de Assis em miniatura (1957) — perfil biográfico do autor de Dom Casmurro;
  • Juscelino Kubitschek: uma revisão na política brasileira (1962) — biografia do presidente;
  • Santos Dumont inventor (1973) — biografia ilustrada para jovens leitores;
  • Os melhores poemas de Manuel Bandeira (1984) — antologia com seleção e prefácio dele.

Por que Francisco de Assis Barbosa continua sendo lido

Quem estuda literatura brasileira ou a história do Rio de Janeiro encontra o nome dele em bibliografias, prefácios e edições organizadas ao longo de cinco décadas. A experiência em arquivos deu aos seus livros uma base documental que continua sendo consultada, e a biografia de Lima Barreto permanece uma das portas de entrada mais completas para entender o escritor e o país em que ele viveu.

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